só pra contar que hoje em dia, eu ando por aqui ó:

http://bichosoltoblog.wordpress.com

Equação complicada

vontade de mudar o template do blog + incompetência nata para assuntos 'internéticos' ou 'computadorísticos' (quer tais palavras existam ou não) + computador que insiste em levar eras para responder a um comando, apesar de esforços em contrário + desconhecimento absoluto e irremediável de códigos HTML  =  blog pesado e confuso, contador que não funciona, tempo e mais tempo perdido em vão diante do computador e paciência totalmente esgotada

Resumo da ópera: desisti.

Estamos, portanto, de mudança. Casa nova, com cheiro de pintura fresca, vizinhança amigável e mobília novinha.

Juntem seus trapinhos e venham conosco...

http://eueosoutroseus.blogspot.com

imagem extraída de: http://www.spindelvisions.com (*)

Tempo Rei

... e o tempo passa.

Não que eu não soubesse. Mas é que sem querer eu descubro. Como quem não sabia. Ou como quem esqueceu.

Que não pára de passar, nunca. Mesmo quando a gente não se dá conta. Mesmo que a gente não queira. Mesmo que lute para não ver. Ou não sentir. Não saber.

Agora mesmo. Enquanto penso. Enquanto escrevo. Vivo, e o tempo passa. E passa. E passa.

Parece que, quando a gente tem filhos, o tempo passa mais. Ou a gente percebe mais. É, talvez seja isso.

Porque eles crescem tão rápido. E mudam tão rápido. E a gente fica tentando lutar contra aquele aperto doído no peito, um saber profundo que faz a gente querer agarrar o tempo.

Mas às vezes. Só às vezes. A gente percebe que não dá e se entrega. E se doa, e se permite sentir o prazer de ver a vida passar. E o tempo fluir, e as coisas mudarem, evoluírem, crescerem.

Quando a gente consegue, é bom demais. Intenso. E grande. Imenso, da gente sentir que é demais para uma pessoa só. Só, de sozinha, mesmo.

Eu acho que agora consegui. Por um momento. Que foi pequeno, mas foi um momento, e foi meu. E foi lindo.

Sentada, vendo minhas meninas, que há pouco menos de cinco meses eu imaginava, sonhava, ansiava por tocar e sentir, explorando com tanta curiosidade um mundo que eu mesma ainda luto para compreender. Estendendo suas pequenas mãozinhas cheias de doçura para tocar a vida.

Foi tão especial que eu ainda quase não consigo respirar. Nem pensar direito.

Que bom que o tempo passa.

Que bom.

(* imagem extraída de http://www.spindelvisions.com)

 (*)

Contando até dez

argh...

... detesto gente folgada! Detesto!

Eu faço o maior esforço pra nunca invadir o espaço de ninguém, pra não interferir no que não me diz respeito, pra não mexer naquilo que não me pertence.

Mas existe gente que não respeita o espaço alheio. E é uma chatice. Cansa pra burro lidar com gente assim.

Respeito, respeito, respeito. É só o que eu quero ter. É pedir muito?

Saco!

(* imagem extraída de http://diasdechuva.festim.net)

Eu leio sim, e estou vivendo

É esse o escolhido. O livro que estou lendo depois de mais de cinco meses de 'secura literária' (antes das meninas nascerem eu já não conseguia ler nada, porque aquele barrigão não me deixava encontrar posição de jeito nenhum).

"O Matador", o único que ainda não havia lido da Patrícia Melo. Sou fã incondicional dela. Adoro o jeito seco e direto de escrever, as personagens humanas, envolventes, tortas, cheias de defeitos e poréns. Assumidos. Me fascina a forma familiar de tratar a violência. Humana, física, psicológica. A forma despudorada de penetrar psiquês, neuroses, patologias.

"Valsa Negra" ainda é meu preferido. Vamos ver se continua sendo. E sim, pra quem perguntar, eu realmente gosto mais de "Valsa Negra" que de "Inferno". Sim, esse último é bárbaro, mas "Valsa" eu devorei em dois dias. Precisa dizer mais alguma coisa? Para mim, é um amadurecimento. Sei que muita gente discorda. Mas para mim, é. Fazer o que?

Impressões, assim que eu acabar de ler. O que certamente vai demorar um pouquinho. Que as pimentinhas são boazinhas, mas também a moleza não é tanta assim, né?

Grande assim, ó

Esses olhinhos me enchem de vontade de viver.

Esses sorrisos me despertam uma ternura tão infinita que eu tenho até medo que possa não caber em mim.

É um amor tão imenso que chega a doer dentro do peito.

Eu não podia mesmo querer nada melhor que isso na vida...

 (*)

Uma coisa que realmente me incomoda é gente que gosta de se intrometer na vida dos outros.

Não é que eu me ache auto-suficiente, não. Aliás, pelo contrário. Eu não tenho vergonha nenhuma de pedir conselho quando sinto necessidade, de aceitar ajuda quando preciso. Me volto sem qualquer receio àqueles em quem eu confio quando tenho dúvidas, incertezas ou inseguranças. Que todo mundo tem.

Agora, o que eu acho o cúmulo da falta de bom senso é que alguém que nunca me viu mais gorda - nem mais magra - se ache no direito de vir me dizer que eu devo fazer isso ou aquilo, assim ou assado.

E eu tenho percebido que, quando se é mãe, isso acontece a torto e a direito. É como se o simples fato de você ter um bebê nos braços significasse uma porteira aberta para um rebanho de conselhos, dicas, palpites. Uma chatice. Uma intromissão. Um desrespeito.

Eu acho engraçado. Ninguém, em sã consciência, pára uma pessoa na rua pra dizer: 'ei, querida, pelo amor de deus, não pinta mais o cabelo desse loiro acobreado porque fica pééééssimo pra você...', ou: 'meu amor, você jamais pode vestir saia de bolinhas roxas com blusa xadrês escocês, não combina...', ou ainda: 'docinho, que homem é esse que você escolheu pra casar?? ele não tem naaaada a ver com você...'.

Agora, por alguma misteriosa razão que me escapa, qualquer um se acha no direito de palpitar sobre o que você deve ou não fazer com o seu filho. Sem a menor cerimônia, as pessoas se aproximam pra dizer que você deve colocar uma touca porque a criança está com frio, tirar o macacão porque a criança está com calor, colocar brinco para não acharem que a menina é um menino... e por aí vai.

Olha, eu sou malcriada mesmo. Assumo. Respondo na lata, digo sem receio coisas do tipo: 'obrigada, eu sei cuidar das minhas filhas sozinha'. Quem não quiser gostar, que não goste. Ora, bolas.

Ontem foi assim. No supermercado. Um velhinho se aproximou e, sem nem sequer dar boa tarde, disse que eu tinha que dar xarope para a Estrela porque ela estava tossindo. Agora me expliquem: porque cargas d'água um ser que viu a menina pela primeira vez há três segundos acredita que tem mais condições de dizer do que ela precisa do que eu, que convivo com ela 24 horas por dia??? Por favor, me expliquem! Eu juro que adoraria entender!

É uma pena que eu estivesse tão distraída que nem tenha tido tempo de dar uma resposta a altura antes que o tal velhinho virasse as costas e desaparecesse entre as prateleiras. É uma pena também que ele, muito provavelmente, não leia blogs nem acesse a internet. Porque, senão, eu poderia lhe dar uma resposta bem pensada aqui mesmo, que desde ontem me ficou atravessada na garganta.

Eu acho uma ignorância sem tamanho isso de achar que criar filho é receita de bolo. Faz isso, que acontece aquilo. Se você faz assim, a criança fica assado. Quanta bobagem.

Bastaria um pouco (um pouco, vá lá, nem precisaria muito) de sensibilidade para se perceber que cada criança é uma criança, cada pai é um pai, cada mãe é uma mãe, e cada família é uma família. Óbvio, não? Mas todo mundo esquece.

Eu não peço muito. Não quero meter o bedelho na vida de ninguém. Nem quero que ninguém viva de acordo com as minhas regras.

Só quero que me deixem, aqui no meu cantinho, feliz vivendo do meu jeito. Eu e os meus. E os outros eus.

Que a gente vem se saindo muito bem assim, obrigada. 

(* imagem extraída de http://www.aerogramar.com.br)

 (*)

Aqui estou eu, apanhando do Power Point pra ver se consigo, finalmente, quatro meses depois, 'parir' o slide show do parto das pimentinhas. Tudo bem que o relato que é bom eu ainda estou gestando, mas parir o slide show já é meio caminho andado, né?

Olha que não tá fácil, mas tá ficando legaaaal...

Mordam-se de curiosidade!!

Logo logo eu mostro...

(*imagem extraída de http://www.portaldavaca.com.br)

"Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. Sou uma culpada inocente." (*)

Eu sei que tenho deixado uns erros por aí, ao longo do meu caminho. Passos tortos, tropeços. Mas é que essa é a única maneira de acertar. De me encontrar. E encontrar a minha verdade.

O que me dói não é quando eu tropeço. É quando atropelo alguém. Que entrou desavisado no meu caminho e eu não vi senão quando já era tarde demais.`

É que às vezes, muito sem querer, eu passo por cima de alguém. Eu não quero machucar, mas machuco. E acaba que saio machucada também.

Eu peço desculpas. Porque não quero construir o meu caminho em cima da tristeza de ninguém. Porque desejo que o meu caminho seja feito de alegrias, de sorrisos. Mais do que tudo. 

Não tenho vergonha de pedir desculpas, não. Nem sempre é fácil, mas eu peço. Ou pelo menos tento. Esforço-me para isso. Porque quero muito aprender a deixar o orgulho de lado e reconhecer quando erro.

Foi tentando acertar. Pelo menos isso já deve valer alguma coisa.

Eu espero que valha.

(* Clarice Lispector )

"Tudo é uma questão de manter / a mente quieta / a espinha ereta / e o coração tranquilo ... " (*)

Tudo...

Tudo, tudo.

Tudo??

Vamos ver...

(* Walter Franco)

Bota água no feijão que eu tô voltando...

Ufa!!!

Tô de volta! Depois de seis dias sem computador, uma infinidade de e-mails perdidos e muitas saudades dos 'amigos virtuais'.

Aguardem, que eu tô cheia de coisas pra dizer...

Amamentação: o que você tem a dizer sobre isso?

Desde sempre, a maternidade e a amamentação eram experiências indissociáveis pra mim. Eu nem cogitava não amamentar. Era algo tão natural quanto gestar, parir, amar. Alimentar. Simples assim.
Tenho conseguido. Amamentar duas bebês sem complemento artificial. Duas bebês que crescem e engordam a olhos vistos. Que se desenvolvem maravilhosamente, são espertas, precoces, inteligentes. E felizes, muito felizes. Basta ouvir as lindas gargalhadas que vira e mexe inundam a casa de vida e me enchem o coração de ternura.
Não vou dizer que foi simples. Não foi. As dificuldades existiram. Algumas tão dolorosas que quase me fizeram desmoronar, não fossem as pessoas a meu lado. Aliás, essa é uma ótima oportunidade para agradecer. Ao Re, que fez um esforço incrível para superar sua própria ansiedade e comprar comigo a briga da amamentação exclusiva, ficando ao meu lado para o que desse e viesse. Lindo. À Márcia, consultora de amamentação, que teve a paciência de nos dar o apoio de que precisávamos para persistir e o ombro amigo para que chorássemos nossas pitangas à vontade. E à minha mãe, que sempre tinha uma palavra de tranquilidade e incentivo, sempre tão importantes. Sem todo esse apoio eu talvez não tivesse superado o que superei. A dificuldade de pega da Estrela, que mamou meu leite na mamadeira por três semanas, até voltar ao peito. A sensação de exaustão das primeiras semanas, quando eu praticamente não passava vinte minutos sem ter uma bebê no peito. A dor nos mamilos rachados que levaram mais de um mês para cicatrizar. A falta de incentivo do primeiro pediatra das meninas, que insistia que eu jamais teria leite suficiente para duas bebês e que elas não ganhariam peso adequadamente.
Mas tudo isso passou. Ficou pra trás, e hoje se me lembro parece tão pequeno. Tão insignificante diante da satisfação de ver minhas meninas crescendo pela minha doação.
Aliás, nem sei se faz sentido falar em doação. Porque acho que recebo muito mais do que dou. O prazer que sinto em amamentar é algo quase obsceno, de tão infinito. A mágica de estar constantemente dando a vida faz muito mais por mim do que por elas. Porque me torna grande, melhor, completa.
Amamentar, para mim, é muito mais que uma responsabilidade com as minhas filhas. Vai muito além da necessidade nutricional delas, dos benefícios físicos que proporciona. Está profundamente conectado com a nossa ligação mãe-filha, com o meu prazer na maternidade, com a magia de dar, através do meu corpo, a vida. Com a minha essência de mulher, mãe, mamífera.
Dar o peito é dar o leite, sim. Alimentar. Mas é muito mais do que isso. É aconchegar, acalentar. É amar. É se permitir transformar. Ser o veículo pelo qual a natureza expressa sua magia, sua ordem, seu sentido. É reestabelecer a ligação vital que tínhamos na gravidez, quando éramos um só corpo, uma só vida.
O que eu sei é que são momentos que vou guardar para sempre. As mãozinhas me segurando o seio, como se quisessem garantir a presença e o contato. Os olhares doces e cheios de ternura, que me miram como quem diz: ‘que bom que você está aqui’. O sorriso entre uma sugada e outra, meio que escapando, sem perceber, maroto e meigo a um só tempo. A respiração suave sentida no contato pele com pele. A sensação infinita de tê-las dormindo em meus braços, satisfeitas, seguras e felizes.
Sei também que tudo isso é ainda mais importante para mim do que para elas. Amamentar me faz sentir menos só. Porque me engrandece a cada momento. A cada toque. A cada troca.
De fato, eu não dôo, não. Elas é que me doam. Elas é que me dão a vida.
A cada mamada.

PS: esse post coletivo com o tema "amamentação: o que você tem a dizer sobre isso?" (que aliás era para ter sido publicado em 12 de setembro, mas como não deu, vai atrasado mesmo...) foi uma iniciativa das Mulheres de Peito (http://www.mulheresdepeito.blogger.com.br/).

4 meses!

Hoje as pimentinhas completam quatro meses de vida extra-uterina.

E a mamãe está sem tempo pra escrever porque está ocupada fazendo o bolo. De chocolate com recheio e cobertura de brigadeiro.

Quem ficou com vontade que passe por aqui para roubar um pedaço...

PS: semana passada rolou entre as mamães blogueiras da net um post coletivo sobre o tema "amamentação: o que você tem a dizer sobre isso?". eu, como estava atarantada (onde foi mesmo que eu fui buscar essa palavra??) e cheia de mensagens atrasadas para ler, só fiquei sabendo na sexta-feira, quando já não dava tempo de fazer um post sobre isso no 'eu e os outros eus'. de qualquer forma, vou tentar escrever algo e colocar aqui amanhã. se der tempo...

... péra lá que eu tô me reconstruindo ...

... paciência, meu povo!!

 (*)

Um dia desses eu estava na porta do supermercado aqui perto de casa com as meninas. De coração distraído, e acho que por isso fui atingida. Foi uma mulher, sentada ali perto, que me acinzentou o dia. Sem querer e sem saber. É que, olhando pra ela, eu senti que havia algo de estranho. Eu não sabia dizer o que era, mas não estava certo. Alguma coisa fora do lugar, algo pelo avesso.
Conversava com outras duas mulheres. E reclamava de tudo. Do marido, que ganhava pouco e devia trabalhar mais. Dos filhos, que não ligavam para ela. Dos netos, que davam muita despesa para os filhos. Do patrão, que não reconhecia seu trabalho. Do governo, que era corrupto. Da comida, que tinha calorias demais. Do tempo, que estava muito quente.
Juro. Minha alma passional poderia me fazer exagerar, mas aqui nem seria preciso. Porque em menos de quinze minutos eu a ouvi reclamando de pelo menos umas quinze coisas diferentes. Tudo tinha algum defeito, nada era como ela gostaria, tudo tinha que ser diferente do que era.
Aí que eu entendi. E ficou clara a razão da estranheza. O que tinha aquela mulher que havia me incomodado e me ferido tanto desde o momento em que a vi e passou a fazer parte do meu mundo.
É que ela era indefinida. Era velha sem ser velha. Uma incompatibilidade, uma incongruência entre a idade do corpo e a idade da alma. Uma coisa tão estranha que fica até difícil definir.
Ela não era velha. Cronologicamente, quero dizer. Tinha o que? No máximo, quarenta e cinco. Mas tinha alma centenária. E daquelas que só acumulam cansaço e desilusão. Nunca sabedoria. Porque falava como quem já viveu tudo o que tinha para viver e um pouco mais. Como quem já cansou e desistiu.
Ela reclamou, reclamou, reclamou. E se foi. E eu fiquei ali pensando. Meio perdida, entre assustada e entristecida. Porque se tem uma coisa que me apavora e ameaça é essa derrota. Ser derrotada pelo tempo, pela vida, pelas dores. Deixar-me vencer pelo que não foi, pelo que não deu, pelo que não fiz.
Isso é tudo o que não quero pra mim, nunca. Posso perder, sim. Posso cair. Mas a derrota, essa nunca. Para essa eu quero sempre fechar a porta.
É por isso que rezo todos os dias (para o meu deus, aquele que é só meu, e que só eu conheço e sei o que significa) e peço que nunca deixe de me permitir. Que me conçeda, sempre. Que afaste de mim a impossibilidade .O conformismo. Porque sei que nada disso cabe em mim. Não na pessoa que eu quero ser. E que estou aprendendo a construir.
Que eu possa lutar. E ter alegria. Amar. E ser amada.

E ter alguém pra me segurar a mão.

Hoje e sempre.
É o que me basta.

(* imagem extraída de http://www.ogirassol.com.br)

 

(*)

Dispensa comentários...

a-do-rei!

(* foto de Clayton de Souza, extraída de http://www.estadao.com.br)

 

Minha vida É um livro aberto.

O que eu estou aqui quebrando a cabeça para tentar entender é se as tais páginas coladas o são por medo, vergonha, indignação, insegurança ou seja lá mais o que possa me impedir de me mostrar como sou. Por inteiro, não pela metade.

É que estou querendo me folhear livremente. Página por página, devorando cada trecho. De trás para frente, de ponta-cabeça. Sem reservas ou limites.

Dar-me a conhecer. Eu. Eu mesma, nua e livre.

Tão assustador.

E redentor também.

 (*)

 

Tem situações na vida que são meio labirínticas. A gente vira para um lado, vira para o outro, volta para trás, tenta recomeçar tudo do começo. Mas cadê que encontra a saída?

Eu sei que uma hora a gente encontra. Eu sei.

Mas é que eu ando meio cansada de bater cabeça...

(* imagem extraída de http://www.arremate.com)

(*)

De mãos dadas comigo

Qualquer dia desses a mulher que sou estenderá os braços para a menina que fui e ambas sairão caminhando em meio a flores e cores. E amores.

Teremos muito o que conversar. E aprenderemos muito uma com a outra. De um lado, ingenuidade e esperança, uma forma colorida de ver o mundo. De outro, experiência, maturidade, a vivência da realidade. E haverá tanto o que falar.

Compartilharemos risadas, lágrimas, palavras. Nos compreenderemos, nos dividiremos. Nos aceitaremos e nos amaremos.

E, ao final do caminho, se tivermos sorte. Tenho até medo de desejar felicidade tão grande. Não saber mais onde termina uma e começa a outra.

Menina e mulher. Mulher e menina.

Para todo o sempre.

(* imagem extraída de http://www.portaldaamazonia.org.br)

 (*)

"Um dia quero mudar tudo
no outro eu morro de rir.
Um dia tô cheia de vida
no outro não sei onde ir,
Um dia escapo por pouco
no outro não sei se vou me livrar,
Um dia esqueço de tudo
no outro não posso deixar de lembrar,
Um dia você me maltrata
no outro me faz muito bem,
Um dia eu digo a verdade
no outro não engano ninguém,
Um dia parece que tudo
tem tudo prá ser o que eu sempre sonhei,
no outro dá tudo errado
e acabo perdendo o que já ganhei
(...)
Um dia eu sou diferente
no outro sou bem comportada,
Um dia eu durmo até tarde
no outro eu acordo cansada,
Um dia te beijo gostoso
no outro nem vem que eu quero respirar,
Um dia quero mudar tudo no mundo
no outro eu vou devagar,
Um dia penso no futuro
no outro eu deixo prá lá,
Um dia eu acho a saída
no outro eu fico no ar,
Um dia na vida da gente,
Um dia sem nada de mais,
Só sei que eu acordo e gosto da vida
Os dias não são nunca iguais..."
(**)

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante

Sempre achei essa música bárbara. Acho que porque, me sinto, de certa forma, definida, expressada. São palavras que me cabem, que me encontram, que me expressam.

Porque eu sou assim. Meio assim, assim. Meio de um lado e de outro. Cá e lá. Meio cada dia um dia, cada dia uma vida. Sempre mudando, a cada momento mirando a vida por um prisma diferente.

E eu adoro ser assim. Faz parte do meu entusiasmo pela vida. Descobrir cores diferentes a cada olhar. Porque quem ama a vida ama a amplitude, o infinito, a descoberta. Ama o diferente, por mais que assuste. Ama a mudança, o desconhecido. Teme, mas ama. Porque temer é humano. Mas amar também. Graças a deus.

Pra mim, é necessário como o ar que respiro. É o que me alimenta, o que me sustenta, o que me suporta. A possibilidade da mudança. A delícia de estar constantemente se renovando, se descobrindo, se reavaliando. Sem esse respiro, eu poderia ser deixada de lado. Para encostar e desistir.

Mudar de idéia é um dos meus passatempos favoritos. Eu penso, repenso, questiono, me reviro toda. E logo estou pensando o que não pensava. E daqui a pouco já vou pensar outra coisa. Porque eu não paro nunca.

E como é bom. Não parar. A sutileza de cada passo deixando sua marca. E me fazendo sempre diferente.

Tudo, menos ter 'aquela velha opinião formada sobre tudo'.

E assim que é pra mim.

(* imagem extraída de http://www.usina.com/fotos_rene/digitais)

(** "Bom Dia, letra de Swami Jr. e Paulo Freire)

(*)

Quem sabe faz a hora

Se cada um fizesse a sua parte, o mundo ainda estaria em pedaços.

Mas, afinal, é preciso que se comece de algum lugar...

(*imagem extraída de http://irc.blogs.sapo.pt)

Chove aqui dentro

Vou aproveitando a chuva de fora para expor o peito e deixar que a água me banhe por dentro. E vou saindo limpinha, fresquinha, de alma lavada e coração renovado.

Esse cheirinho de chuva me deixa com uma vontade desumana de chorar. Mas não é de tristeza, não. É um choro de quem percebe de repente, assim meio no susto, que é humano. Que sente. Que a alma é frágil e exposta, e mágica por isso. É que nem sempre a gente lembra.

Cada vez que a gente tem um momento desses vale por uma vida...

... então dá licença que eu vou ali curtir esse meu momento ...

(*)

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida" (**)

Eu tenho fome. De muita gente. Gente que passou pela minha vida e significou e já não está ou não significa mais. Que fez parte e deixou de fazer. E agora não faz parte. E às vezes faz falta. E não dá pra fazer voltar, porque a vida não caminha para trás. Ainda bem.

Tenho passado a vida tentando compreender e aceitar esse movimento. De estar constantemente dizendo adeus às pessoas, ou ao que elas foram na minha vida. Porque às vezes acontece de elas continuarem ao meu lado, mas não estarem mais ali. E é estranho. E eu sinto isso como um incômodo gelado na alma, porque me apego às pessoas mais do que deveria. É minha única maneira de viver, porque meu verbo é dividir.

Muitas vezes também divido com as pessoas o que elas não dividem comigo. E fico sem, porque a pessoa se vai e leva o que era dela, e também o que era meu e eu doei. Mas não me arrependo, não. Porque no dia em que desistir de me entregar ao outro terei deixado de ser eu. E disso eu fujo como criança com medo do escuro ou dos monstros atrás do armário.

E também porque recebo muito. Mundos que se aliam ao meu e me fazem acreditar. Mãos que tocam as minhas e me ajudam a levantar. E isso não tem preço.

Também tenho aprendido que nem todos estão prontos para se abrir para o outro. E é preciso respeitar o tempo alheio como respeitamos o nosso. Ou até mais. Eu mesma já devo ter me fechado para alguns que me estenderam os braços. E se fiz isso, foi sem nem mesmo perceber que havia ali uma porta aberta para mim.

O que é cinza nisso tudo é que eu não possa chegar perto de cada um e dizer, ao pé do ouvido, a diferença que fez para mim. O significado que teve no meu existir. A beleza do passo que caminhou comigo. Porque cada pegada dessa estrada é única, e especial.

Mas se não posso dizer, posso ao menos soprar ao vento as palavras que me brotam de dentro e esperar que cheguem a quem possam e devam chegar. Que cada um daqueles que me abriram os braços ou que carregam pelo mundo um bocado de mim sinta e saiba. Porque sentir é saber.

Que não tenham dúvidas de que meu caminho se faz também de cada um deles. Dos que estão e dos que estiveram. Que descubram que sinto saudades, que em certas tardes de sol ou de chuva a melancolia me pega de jeito e eu suspiro fundo como quem se ressente de leve do tempo que passa. E que é também por eles que encontro no espelho esse incrível mosaico que combina as cores de quem eu sou e de quem me vive. De quem divide comigo.

E que é por ser um pouco de cada um deles que sou cada vez mais do que sou. Doando sem medo de me perder. Porque nessa vida só se perde daquilo que não se dá.

(*imagem extraída de http://blogamizade.blogs.sapo.pt)

(** Clarice Lispector, em "A Descoberta do Mundo")

Cada macaco no seu galho. Hoje.

Tem dias que eu fico assim. Quietinha no meu canto, disfarçada. Escondidinha, só esperando pra ver no que vai dar.

Não vejo, não falo, não ouço.

Mas penso. E como penso. Que isso eu não deixo de fazer nunca.

Ainda bem.

"Eu caio de bossa, eu sou quem eu sou
eu saio da fossa, xingando em nagô
Você que ouve e não fala, você que olha e não vê
eu vou lhe dar uma pala
você vai ter que aprender
a tonga da mironga do kabuletê

Eu caio de bossa, eu sou quem eu sou
eu saio da fossa, xingando em nagô
Você que lê e não sabe, você que reza e não crê
você que entra e não cabe,
você vai ter que viver
na tonga da mironga do kabuletê

Você que fuma e não traga, e que não paga pra ver
vou lhe rogar uma praga, eu vou é mandar você
pra tonga da mironga do kabuletê..."
(*)


Cada dia mais me convenço que a vida nos foi dada para ser sorvida até o último gole. Sem reservas, sem pudores, sem defesas. Que o mergulho no desconhecido e no imprevisível se faz necessário, vital a cada passo. Que a beleza da existência está na entrega de quem se dá o direito de viver o que não conhece, o que não sabe, o que não controla.
Para mim, não valem a pena os meios-tons. Meia vida. Ir até o meio do caminho e desistir. Recuar sem saber onde ia dar. Caminhar na estrada confortável da mediocridade. Não é pra mim.
Eu amo a plenitude, o êxtase, a totalidade. Entrar de cabeça e viver o que há para viver. É só assim que eu me sei. É o que tento.
É um ato de coragem. Porque não há quem não tema o que não conhece. Mas a recompensa é imensa, infinita e vale a pena demais.
É também um ato de generosidade. Porque quando a gente se abre para o mundo, está dando de si o que tem de melhor. E se arriscando à exposição, se permitindo conhecer. O que não é tão simples quanto pode parecer.
Mas é um caminho de possibilidades infinitas. De crescimento, descoberta, aprendizado. De cor, sabor, cheiro. De vida.
Eu quero demais seguir esse caminho. Não me perder dele nunca.
Porque sei que é nele, e só nele, que posso me encontrar.


(*"A Tonga da Mironga do Kabuletê", de Toquinho e Vinícius de Moraes)



[ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL , Mulher
MSN - repenna@hotmail.com

 
Visitante número: