Receita de Ano Novo
(Carlos Drummond de Andrade)

"Receita de Ano Novo Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?)
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre"

Só pra desejar a todos os amigos e amigas que andam por aqui que vivenciem plenamente o espírito maior da virada de ano: a renovação.

Nesse ano que chega, ano que ganhamos novinho nessa madrugada, embrulhadinho e reluzente... que se tenha coragem de mudar, que se abra os braços para o novo, que não se tema o desconhecido. Que se olhe adiante com olhos de esperança, que se aguarde o amanhã com a alegria ingênua da criança dentro de si, que se acredite no que tanto se deseja.

Desejo a cada um que 2005 seja um ano cheio. Em todos os sentidos. Cheio de descobertas e de aprendizado. Cheio de tropeços, pra gente ter oportunidade de se levantar. Cheio de alegrias, pra encher o peito, e de lágrimas, pra lavar a alma. Cheio de luz, pra iluminar nossos cantinhos mais obscuros. Cheio de dúvidas, pra gente nunca perder o costume de questionar. Cheio de coragem pra enfrentar o que se teme. Cheio de novidades, pra despertar nossa curiosidade. Cheio de conquistas, pra incentivar a ir em frente. Cheio de amizade, pra gente não perder a confiança. Cheio de superação, pra que nunca se perca a vontade de ir mais longe. E cheio de amor, que é a força primária que alimenta, e que se estivesse ausente, por mais cheio que fosse, ainda assim seria tudo insuportavelmente vazio...

... e que venha 2005!!

 Pra quem ainda não viu esse filme, vale muitíssimo a pena! Nós vimos esse final de semana... É uma comédia inteligente, dinâmica, divertidíssima e com atuações que sozinhas já valeriam o filme. No elenco, Alfred Molina, Cristopher Walken (encarnando uma personagem que é uma figura incrível...) e Naomi Watts, entre outros. Mas, na minha opinião, quem rouba a cena mesmo é a Brenda Blethyn, que interpreta a personagem Beth. Pra compreender melhor, aí vai uma pequena sinopse do filme:

"Boris Plots (Alfred Molina) é o dono de uma empresa que organiza funerais que vive na pequena cidade de Welsh, na Inglaterra. Boris é completamente apaixonado por Betty Rhys-Jones (Brenda Blethyn) desde quando era adolescente, e agora sabe que seu amor é correspondido. Porém há um problema: Betty é casada, com Hugh (Robert Pugh), e não quer quebrar os votos que fez no matrimônio de acompanhar o marido até que a morte os separe. Para driblar a situação, Boris oferece uma saída incomum: realizar um funeral de Betty, enganando a todos na cidade e possibilidade que ela fuja com ele. O plano segue em frente, mas eles não contavam com a interferência de Frank Featherbed (Christopher Walken), um empresário americano que também trabalha no ramo de funerais, mas que acredita que eles devem ser mais alegres e descontraídos."

O enredo já dá margem a uma série de situações engraçadíssimas, reforçadas pelo talento de cada ator. Mas a Brenda arrasa, como sempre. Bom, eu sou até suspeita pra falar, porque sou fã incondicional dela. Acho uma atriz surpreendentemente versátil, espontânea e com um trabalho vivo e emocionante. Vai do drama à comédia com um pé nas costas... quando eu crescer quero ser uma atriz como ela!

Pra quem quiser conferir outras atuações dela, eu recomendo "Segredos e Mentiras" (é f..., mas é muuuito bom!) e "Laura, a voz de uma estrela". Duas atuações brilhantes, dois filmes marcantes! (olha aí, eu nem quis rimar...) Enfim, pra quem quiser conferir e depois colocar um comentário aqui, ou pra quem já assistiu e quiser dar o seu pitaco, sintam-se à vontade!! Discordem, concordem, à vontade...


Emendando outro assunto, o final de semana foi muito legal... muito gostoso estar junto de pessoas queridas, conversar, rir, falar bobagem, comer pra caramba, fazer rodinha de violão - responsabilidade do meu talentoso irmão! - enfim, desfrutar desses pequenos momentos especiais ao lado de quem é importante pra gente.

E os babies também curtiram, até porque foram totalmente lembrados na hora dos presentes... Ganharam mordedor, babador, roupinha... segue a foto com as roupinhas dadas pela vovó Lili...

Aliás... agora lembrei que ficou faltando colocar aqui fotos da vovó do ano!! Aí vai:

Além da noite de Natal, no domingo encontramos com a Didi e o Edu, nossos outros 'compadres', ou seja, padrinhos de um pequenino... (agora eles já sabem, então posso falar aqui!)

Enfim, foi um final de semana de aconchego, carinho... muito bom! Faz a gente lembrar o quanto é bom estar cercada de pessoas especiais, estar rodeada de quem gosta da gente, estar envolta em amizade, carinho... delícia!!

Happy X-Mas


So this is christmas
and what have you done
another year over
a new one just begun

and so this is christmas
i hope you have fun
the near and the dear ones
the old and the young

a very merry christmas
and a happy new year
let's hope it's a good one
without any fear

and so this is christmas
for weak and for strong
the rich and the poor ones
the road is so long

and so happy christmas
for black and for white
for the yellow and red ones
let's stop all the fight

a very merry christmas
and a happy new year
lets hope it's a good one
without any fear

so this is christmas
and what have you done...

 

Essa música sempre me toca bastante. Podem dizer que é batida e tudo o mais, mas a minha sensibilidade é eclética...

Essa época do ano tem um significado dúbio pra mim. Ao mesmo tempo em que acho um período cheio de melancolia, em que eu fico meio reflexiva, meio meditativa, também é uma época gostosa, oportunidade de estar mais perto das pessoas importantes, de planejar coisas pro futuro, de renovar as esperanças... Aliás, lembrei agora de uma frase maravilhosa do Drummond que li esses dias e que se encaixa perfeitamente...

"Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo... é renovar as esperanças na vida e o mais importante:acreditar em você de novo."

É exatamente isso que eu sinto: cada fim de ano é uma chance pra se repensar, pra mudar o que deve ser mudado e para 'fazer as pazes' consigo mesmo, se perdoar pelos erros e tropeços que, afinal, fazem parte da vida e da maravilha de ser humano e estar sempre caminhando e aprendendo...

É nesse clima que eu entro quando vai chegando essa época... reservo sempre um espacinho pra reflexão, pra fazer uma espécie de 'balanço' daquele ano. Rever tudo o que vivi, tudo o que aprendi, tudo o que ganhei ou perdi... pensar no que eu consegui realizar, no que eu quis muito fazer e não deu. É um momento para processar as experiências e transformá-las em aprendizado de fato, já que é disso que a vida se alimenta...

É a época também de olhar mais intensamente para o lado, pensar no mundo como é e como eu gostaria que fosse, em tudo que eu gostaria de mudar, no que posso fazer de efetivo para melhorar o que está aí e no que está fora do meu alcance.

Pensei em tudo o que me aconteceu esse ano, um ano intenso, pra dizer o mínimo! Meu primeiro Natal como mãe, experimentando uma avalanche de sensações e sentimentos infinitos e maravilhosos. Olhando para trás e me vendo hoje como uma pessoa absurdamente diferente daquela que eu era em 24 de dezembro do ano passado... incrível como as coisas passam, mudam, melhoram.

É maravilhoso a gente fazer esse tipo de balanço e ver que o saldo é positivo. Se sentir uma pessoa melhor, sentir que estamos mais à frente, que a caminhada nos levou a algum lugar.

E queria aproveitar para agradecer a todos que fizeram parte desse meu caminho nesse ano. Porque cada um me ajudou a plantar uma sementinha do que estou vivendo hoje.

E um agradecimento todo especial, claro, ao Re, que me deu esses dois pequenininhos que estão pulando aqui dentro, louquinhos pra vivenciar a primeira visita do Papai Noel da vida deles...

Então fica aí a música como um convite à reflexão... que cada um faça seu balanço, da forma que achar melhor. E que, principalmente, fique a certeza de que o balanço do ano que vem vai ser sempre melhor que este, e o outro melhor que o outro, e melhor que o outro, que o outro...

Feliz Natal...


Absurdos que a gente ouve...

Essa tá sendo uma semana cheia de coisas pra fazer, por isso tenho escrito tão pouco aqui. Mas precisava contar uns absurdos que ouvi na terça-feira. A gente acha que já ouviu tudo, mas sempre tem mais...

Estava eu tranquila em uma sala de espera, com outras cinco mulheres. Como costuma acontecer, me perguntaram de quantos meses eu estava e se surpreenderam ao saber que eram gêmeos. Foi aí que se estabeleceu o assunto 'parto'. E foi aí que começaram os absurdos...

Uma delas começou a falar do próprio parto (cesárea), dizendo com o maior orgulho, de peito estufado: "Eu nem sei o que é romper bolsa, o que é entrar em trabalho de parto.... nem imagino como seja sentir uma contração, eu não senti nem uminha...". E continuou: "Fui pro hospital demanhã, linda e bela, e na hora do almoço já estava com o meu filho nos braços, nem senti...". E eu fazendo aquela cara de paisagem... gente, o que é isso?? Tá, eu até acho que a liberdade de opção é um negócio importante, e que a mulher grávida tem o direito de optar pela cesárea se for isso mesmo o que ela quiser e entender como melhor pra ela e pro seu filho, mas fazer cesárea sem nem esperar entrar em trabalho de parto? E a segurança do bebê, onde fica nessa história, se ele nem teve tempo de dar sinais de estar pronto pra nascer? E as milhares de complicações que podem surgir quando se tira um bebê do útero materno antes do tempo? Será que é tão absurdo considerar todas essas questões pra tomar uma decisão tão séria como essa?

Bom, e a discussão ainda continuou (sem a minha participação, já que eu não estava com a menor disposição de começar uma discussão que já sabia onde ia dar...), com as outras mulheres - quatro delas já tinham tido filhos, todas de cesárea - concordando e invejando o parto 'de sonho' da primeira, já que sentir dor é mesmo coisa pra bicho, não pra gente... ai, socooorro!!

Pra completar, ouvi de uma delas a justificativa mais 'nonsense' para uma cesárea, de todas as que eu já escutei. Ela contou que, quando teve o seu filho, foi para o hospital para fazer normal, mas quando a enfermeira foi depilá-la, acabou cortando (!) e o médico disse que, como estava sangrando, não podia fazer normal...

É cada uma que a gente vê nesse mundo... se alguém me contasse, eu não acreditaria!!

"A gravidez é um negócio maravilhoso. Dá uma sensação de absoluto; a gente fica completa. Acho que o negócio máximo de ser fêmea é estar prenhe. É um negócio muito forte, que o homem não entende. Eu tenho muita pena do homem não poder ficar grávido"

Peço licença à minha amiga Denise pra publicar aqui essa frase maravilhosa que recebi dela. É do livro "Leila Diniz", de Claudia Cavalcanti. E expressa lindamente meu sentimento em relação à gravidez, ao sentimento de estar grávida, ou 'prenhe'. É uma conexão com o nosso instinto mais primário de fêmea, uma religação com nossa essência mais profunda, uma redescoberta do que é ser mulher, da plenitude da feminilidade. É se permitir ser fêmea, ser semente, ser mulher. Ser a força que gera a continuidade e a vida.

A gravidez é uma experiência infinita. Eu me sinto inteira, plena, forte. Revigorada, reconstruída e redescoberta. Reaprendendo a me conhecer, a me compreender e a amar. Principalmente a amar. Dando graças ao universo por ser mulher...

Até que enfim, até que enfim...

Pronto, pessoal! Podem acalmar os ânimos... aqui estão as fotos tão solicitadas. Foram tiradas nesse domingo mesmo. Meu irmão e minha cunhada (padrinhos de um dos bebês) vieram aqui em casa, trouxeram a máquina digital e fizemos a festa!! Deleitem-se...

Eu e o Re apaixonados pelo barrigão...

 

O titio/dindo (Cris) curtindo os sobrinhos/afilhados mais de pertinho...

 

Titia/dinda (Ana), mamãe e os dois pimpolhos na barriga...

 

Mostrando o barrigão sem pudor...

 

De perfil... olha o tamanho dessa barrigaaaaaa...e eu só tô terminando o quarto mês!!

 

De perfil de novo... êta, vou começar a cobrar cachê!! E de três, hein??

 

Proooonto!!! Agora vcs podem se esbaldar de tanta barriga pra todo lado...

Com uma barriga dessa entrando no quinto mês... imagina só como eu vou estar no nono!!!

Bom, agora ainda vai faltar foto do resto da família, mas também, Roma não foi feita em um dia, né, gente??

 

 Platão... mais uma presença ilustre passeando aqui pelo blog...

Hoje eu estou imersa em uma atmosfera... platônica. É que estava tendo uma discussão teórica com o Re a respeito do Fedro, um dos diálogos de Platão (ele tem uma prova depois de amanhã, de Estudos Clássicos - pra quem não sabe, ele também estuda Letras na USP, depois de anos e anos se dedicando às exatas, não resistiu a um banho de humanas...). Enfim, estávamos discutindo retórica, dialética, mito, forma de pensamento... a discussão foi interrompida, mas acho que poderíamos ficar horas e horas filosofando... ou seria 'dialeticando'??

Enfim, estudar é muito bom. Pra mim, aprender é uma das melhores sensações da vida. Então, depois dessa discussão, eu fiquei com aquela sensação gostosa, da vastidão do mundo, das coisas, da realidade... aquela sensação de que o conhecimento é um poço do qual a gente nem de longe vê o fundo, mas que quanto mais a gente cava, mais quer cavar, cavar, cavar... êta, vício!!

 

*Ah, uma observação pra rebater os vários puxões de orelha que eu já tomei por ainda não ter colocado fotos do barrigão aqui no blog: já tô com as fotos no meu computador. Amanhã mesmo vou colocar aqui... calma, meu povo... a paciência é uma grande virtude!!!

Gabriel García Márquez... que presença ilustre dando as boas vindas aos visitantes do blog...

Coloquei essa imagem aí porque nesse fim de semana ganhei um presente de Natal adiantado do Re. "Memoria de Mis Putas Tristes", o mais novo romance de Gabbo. Acaba de ser lançado em língua espanhola, nem há traduções para o português ainda. E o meu fofo, sabendo de cadeira da minha paixão absoluta por esse autor, se adiantou - bastante - e já me deu a edição em espanhol, uma maravilha! Presentão!!!

Sou apaixonada por García Márquez. Adoro a forma dele escrever, de contar seus 'causos', e os universos paralelos que cria em sua ficção. De todos que já li dele, não há nenhum que não recomende, mas "Doze Contos Peregrinos" me encantou de forma especial. E "Cem Anos de Solidão", então... nem dá pra comentar. É um dos livros da minha vida, daqueles que frequentemente pego pra reler um trecho e tentar reviver aquela sensação maravilhosa da primeira leitura, da descoberta de um mundo ficcional com o qual nos identificamos, que nos toca. Já sou praticamente parte da familia Buendía... Pra quem já leu e quiser dar uma opinião, o canal tá abertíssimo por aqui!

Vou até parando por aqui que já me deu uma vontade louca de pegar o livro pra dar uma folheada... e é isso que eu vou correndo fazer! Inté...

 

 

  Estamos nos sentindo mais 'grávidos' do que nunca... Ontem fomos à consulta com o Dr. Jorge e, pela primeira vez, ouvimos os coraçõezinhos dos dois bebês separadamente! Já tínhamos ouvido na consulta anterior, mas não tinha dado pra distinguir. Ontem, ouvimos as batidas separadinhas, em lados diferentes da barriga... nossa, foi uma emoção que não dá pra descrever. Acho que só passando pra saber. Quem já passou por isso pode confirmar. Fica tudo tão real...

Está tudo bem, comigo e com os bebês. E estamos cada vez mais seguros do nosso parto domiciliar. De minha parte, só posso dizer que não tenho a menor dúvida de que será uma experiência absolutamente inesquecível, daquelas das quais a gente nunca sai igual... dar à luz nossos filhos, no aconchego da nossa casa, nesse espaço tão cheio de amor, de estória... no espaço onde eles foram concebidos, onde essa semente foi semeada... não consigo pensar em uma forma mais especial de trazer nossos filhotes ao mundo!

Para os curiosos, o ultrassom para saber o sexo ainda vai demorar quase um mês... isso se eu sobreviver à minha própria curiosidade até lá!!!

E sobre os pedidos das fotos do barrigão (que já tá de um tamanho que eu nem acredito), gente, eu juro que já já eu coloco!!! É que pra quem ainda não tem máquina digital fica difícil... mas eu vou providenciar!! Prometo, prometo, prometo!!!!

 

 

"Menino de 10 anos faz o parto da mãe
Sozinho na casa onde mora, Tailan teve de ajudar seu irmãozinho a nascer
Ivan Marcos Machado

JUNDIAÍ - O menino Tailan Rodrigues Azevedo, de 10 anos, passou a ser conhecido no conjunto Morada das Vinhas, periferia de Jundiaí, como herói, depois fazer sozinho o parto do irmãozinho Andrey. A mãe, Alessandra Cordeiro Rodrigues, de 28 anos, tinha decidido doar o filho, por problemas financeiros.
"Depois desse milagre de Deus, que fez meu filho fazer o parto, nunca mais quero ficar longe deles", disse, emocionada. "Posso passar fome, mas vou procurar dar tudo a eles." Tailan acordou de madrugada com a mãe chorando de dores, porque a bolsa tinha se rompido. Quis sair para pedir ajuda, mas ela pediu para que ficasse, já que dormem no chão do quarto do apartamento do cunhado.

"Fui puxando meu irmãozinho pela cabeça e minha mãe foi fazendo força", disse. Depois, colocou o bebê na barriga de Alessandra e saiu para a rua, para pedir que alguém chamasse uma ambulância. Separada do pai do bebê, que sumiu ao saber que a mulher estava grávida, Alessandra vive de favor na casa da irmã e Tailan vende quibe nas ruas, para ajudar no sustento da família."

Depois de ler essa notícia, alguém por aí ainda tem coragem de duvidar da capacidade da mulher (e mais, da mulher comum, que não necessariamente fez uma preparação intensiva para o parto) para gerar seus filhos sem intervenções, cortes, remédios, etc... tem?? Alguém ainda disposto a questionar a perfeição da natureza, quando a medicina moderna não cruza seu caminho em uma tentativa desesperada de controlá-la, manipulá-la e dominá-la?

Se tem, que fale agora ou cale-se para sempre...

É isso aí. Pra dar a luz, basta saber ser mulher. É, tem que saber ser.

 


Pulsa dentro aqui no ventre
O meu rebento que eu nunca tive
Vive preso ao meu desejo
De concebê-lo tão calmo e livre

Sonho enquanto eu canto esse acalanto
Que o faz ninar
Durma que está escuro
Não tá seguro pra se acordar

Tenho pressa que o mundo mude de atitude
Pra recebê-lo
Por enquanto arrumo o quarto
Adio o parto para protégê-lo

Eu já gostava dessa música do Ivan Lins (que eu só conheço na interpretação da Leila Pinheiro), achava que ela tinha uma sonoridade muito gostosa. Mas hoje, parando pra prestar atenção na letra, vi que ela dizia muito do que eu venho sentindo nesse processo maravilhoso da gravidez. Porque às vezes vem aquela enxurrada de dúvidas, acompanhadas de um certo receio de trazer uma criança (duas, na verdade...) pra esse mundo tão estranho... dá vontade de construir um novo mundo pra abrigar essas pessoinhas que estão crescendo aqui dentro, porque sinto e sei que eles merecem o que de melhor eu possa dar. 

É... mas é nesse mundo, nesse mundão real, assustador mas também surpreendente, que eles vão viver. É aqui que vão crescer, aprender... é aqui que vão descobrir o seu lugar. E aí, o que me resta, além de amá-los com toda a intensidade de que estou a cada dia descobrindo ser capaz, é torcer pra que eles consigam tirar desse mundo o melhor. Que consigam mudar algo. Uma folhinha, por pequena que seja. A minha, a cada dia vou movendo um pouquinho de lugar, e acho que isso, afinal, já é um começo...

PS: Post de segunda feira, 06.11.04. Me atrapalhei toda por aqui, acabei excluindo e aqui estou, publicando tudo de novo...

...

Tem dias que é assim que a gente se sente... numa leseeeera... (êta, de onde foi que eu desenterrei essa palavra??)

Com esse temporal de hoje, dá mesmo vontade de ficar trancadinha em casa, ouvindo música, lendo, vendo TV... esperando o mundo acabar em barranco!!  E de preferência, em ótima companhia, que ninguém é de ferro...

Então com licença, que agora eu vou é dar asas à minha preguiça...

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que
o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta
que nada arrisca.

(Carlos Drummonnd de Andrade)

É isso aí... nada como o risco na vida. Nada como atirar-se ao desconhecido, abrir-se para o que não sabemos, ter coragem o suficiente para encarar o vazio à frente...

Viver em segurança, com tudo absolutamente planejado, calculado, programado... é muito chato! A vida é renovação, é surpresa, é descoberta. É abrir a cada dia uma porta que não sabemos onde vai dar. É seguir em frente amando a sensação de não saber onde vai nos levar o próximo passo...

Hoje eu estou assim... atirada! Ao futuro, ao infinito de possibilidades, a todas as maravilhosas surpresas que essa vida maluca me reserva... com o peito cheio de luz, de alegria e de esperança. Com vontade de viver a vida daquele jeitinho só nosso, sabor sorvete com calda de chocolate...

Eu quero mais é o abismo, e nem pensar em medir a altura do tombo... Fui!!


De perto ninguém é normal...

Olha, cada um que fale por si, mas eu não sou! Definitivamente, se ser normal é nadar de acordo com a corrente nesse mundo que a gente vive, eu sou qualquer coisa, menos normal! Se ser normal é aceitar as coisas mais absurdas que acontecem diante da gente todos os dias e baixar a cabeça, sem questionar, sem criticar, sem se indignar, eu definitivamente sou anormalíssima! Porque eu me indigno, sim... me indigno quando vejo tanta miséria e tanto sofrimento, e tanta gente passando reto por isso pensando na festa do sábado ou na liquidação do fim de ano... me indigno quando vejo tanta incompreensão, tanta gente que não se entende com o vizinho por intolerância, por falta de humildade, por orgulho. Me indigno quando vejo tanta gente aceitando que a vida é sofrimento e desistindo sem lutar. Me indigno quando vejo que as pessoas não defendem seu direito de fazer o que gostam, de ter prazer em cada minuto da vida, de se encantar, de aprender e de melhorar. Me indigno quando vejo tanto egoísmo, tanto 'cada um por si', tanta falta de solidariedade e de companheirismo. Me indigno quando vejo que o mundo caminha a passos largos para um buraco negro que não sei se tem fundo. E me indigno mais ainda quando vejo que pouca gente enxerga isso e que o medo que eu sinto é de poucos.

Acho que a indignação também é pra poucos. Porque a mediocridade é muito mais confortável e segura. Porque questionar é perigoso, e ser diferente então, nem se fala. Mas a normalidade, essa tão falada, está ali, facinha, ao alcance de qualquer um.

Ser normal é pra quem quer. Ser diferente é pra quem pode.




[ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL , Mulher
MSN - repenna@hotmail.com

 
Visitante número: