(*)

Ontem tivemos uma reunião de condomínio aqui no prédio. Putz, que experiência!

Eu nunca tinha estado em uma. E já tinha ouvido falar a respeito, "as lendas das reuniões de condomínio", mas mesmo assim foi uma experiência, digamos, 'antropológica', interessante.

É incrível a dificuldade do ser humano de conviver em sociedade. Conviver pacificamente, quero dizer. Respeitando o vizinho, colaborando com o bem-estar geral e aceitando regras e limites. O egoísmo e o egocentrismo acabam com qualquer possibilidade de que essa convivência venha a ser minimamente bem sucedida. Porque cada um quer resolver o seu problema, "tirar o seu da reta", e só. O vizinho? Dane-se o vizinho...

Por outro lado, a necessidade desse convívio vem na mesma medida e com a mesma intensidade da dificuldade. As pessoas precisam estar inseridas no grupo, precisam ser ouvidas e aceitas, precisam ser vistas. E não medem esforços pra isso. E querem ser marcantes, positiva ou negativamente. Algo na linha do "falem mal, mas falem de mim"...

Chega a ser engraçado de assistir. As pessoas agem como se estivessem em um palco, e o 'grande número' não pode dar errado. Dão tudo de si pra que a cena saia perfeita. Dramática, expressiva, às vezes até trágica. Só falta mesmo o cair do pano e os aplausos no final...

O mais estranho é que, fora dali, as pessoas parecem estar em um outro mundo, em outro território. Fazem questão de manter a cordialidade, de ser razoavelmente gentis, educados, prestativos. Mas chegou na reunião do condomínio... aí é terra de ninguém. É o espaço onde tudo se libera, todos se manifestam sem pudor, revelam o que são, o clima esquenta... e depois cada um sai pela porta do salão, vai pro seu apartamento, e no dia seguinte cumprimenta o vizinho e pergunta dos filhos e da família como se nada tivesse acontecido. Afinal, somos todos seres civilizados, e "um prédio é como se fosse uma família"...

O ser humano é mesmo um bicho muito estranho...

(*"Guernica", de Pablo Picasso)

Ainda bem que eu não preciso me convencer...

... bom, pelo menos não hoje!

Dejeuner du matin
(Jacques Prévert)

"Il a mis le café
dans la tasse
Il a mis le lait
dans la tasse de café
Il a mis le sucre
dans le café au lait
Avec la petite cuillère
il a tourné
Il a bu le café au lait
et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
une cigarrette
Il a fait des ronds
avec la fumée
Il a mis le cendres
dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s’est levé
Il a mis son chapeau sur sa tête
Il a mis son manteau de pluie
parce qu’il pleuvait
Et il est parti
sous la pluie
Sans me regarder
Et moi, j’ai pris
ma tête dans ma main
et j’ai pleuré."


Remexendo uns papéis, encontrei esse poema, do escritor francês Jacques Prévert. E, ao ler, me emocionei de novo, como em uma primeira leitura. Acho esse poema de uma simplicidade, de uma singeleza, de uma beleza ímpares. E, ao mesmo tempo, de uma profundidade desconcertante. Daquelas que remexem na alma e vão buscar lá dentro aqueles sentimentos que a gente nem se sentia capaz de ter.

Tenho uma profunda admiração por esses gênios que conseguem garimpar as palavras certas, as combinações perfeitas, o tom exato da comunicação poética, sensível, verdadeira. Dizer tudo dizendo quase nada.

A versão em francês está aí porque eu sou da opinião que poesia não se traduz. É o que é, na língua em que foi gerada, e qualquer tentativa de tradução já é uma fuga em relação ao original. Mas, como estamos no Brasil e, afinal, ninguém tem a obrigação de entender francês, coloquei abaixo uma versão em português. A versão é minha. Sim, sim, acreditem ou não, eu tive a cara-de-pau de me meter a traduzir um texto em francês... eita, pretensão!

Aos especialistas na língua de Balzac, minhas desculpas antecipadas... mas deu vontade e eu fiz mesmo!!

Aí vai...

 Café da manhã

"Ele pôs o café
na xícara
Ele pôs o leite
na xícara de café
Ele pôs o açúcar
no café com leite
Com a colherinha
ele mexeu
Ele bebeu o café com leite
e pôs a xícara de volta
Sem falar comigo
Ele acendeu
um cigarro
Ele fez círculos
com a fumaça
Ele derramou as cinzas
no cinzeiro
Sem falar comigo
Sem olhar pra mim
Ele se levantou
Ele pôs seu chapéu na cabeça
Ele pôs sua capa de chuva
porque estava chovendo
E ele partiu
na chuva
Sem olhar pra mim
E eu, eu pus
minha cabeça entre minhas mãos
e eu chorei."

Lindo, lindo, lindo...

Dá licença que eu vou ali voar um pouquinho...

Mãe de Duas

Às vezes eu fico pensando e me pego dizendo pra mim mesma: "Caramba! São duas..."... e não posso dizer que não me bate aquela insegurança... e eu fico me questionando como vai ser, se eu vou saber lidar com a situação, se vou conseguir cuidar das duas da forma que quero e acho que devo, se elas vão ter toda a atenção e dedicação que merecem...

A verdade é que eu não sei. Não sei se vou conseguir lidar com todas as coisas a fazer pra duas bebês ao mesmo tempo. Não sei se vou conseguir atender a todas as necessidades que elas certamente terão. Não sei se em alguns momentos não vou ter a sensação de que poderia estar fazendo mais, dando mais, conseguindo mais.

O que eu sei é que eu vou ser o que eu puder. E fazer o que eu puder. E vai ser o melhor que eu poderia ter feito. Sei que elas vão me ter inteira, entregue. Que vão me ter mãe. É abrir os braços, doar e prepará-las para que sejam crianças felizes, cheias de energia e paixão pela vida e carinho pelo mundo. E para que cresçam para amar, e para sonhar, e para viver tudo o que sonharem.

Ter um filho não é fácil. É uma responsabilidade imensa, colocar uma vida no mundo. Porque não é só isso, "colocar no mundo". É suprir, é embalar, é aconchegar. É estar presente, é dar o que a gente tem e o que não tem. É se doar, se entregar, se misturar e não ligar para o que dá errado. Porque sempre tem coisas que dão errado, por mais que a gente se esforce.

É. São duas. E isso significa trabalho em dobro, responsabilidades em dobro, preocupações em dobro. Mas também significa, e muito mais, amor em dobro, sorrisos em dobro, realização em dobro. E carinho em dobro, e diversão em dobro. Porque eu acho que filho, mais do que tudo, é diversão. É uma possibilidade da gente ser criança de novo, de ver o mundo de uma forma mais colorida pelos olhos de um serzinho que carrega consigo uma parte da gente. E vai carregar sempre.

Acho que a gente sempre tem esses medos. De não ser o que a gente gostaria de ser pra eles, de falhar, de decepcionar. Mas maior que o medo, é o amor. Porque esse é infinito. E, perto dele, esse medo fica pequenininho...

"... um velho calção de banho, um dia pra vadiar..."

Tô voltando agora da piscina do prédio... (eita, vida boa!)

Me estiquei debaixo de um sol revigorante, energizante, purificador... renovador mesmo, pra recarregar totalmente as baterias!

As meninas tavam adorando! Ficaram pulando que nem umas loucas aqui dentro, só curtindo o quentinho...

Sol (nada de sombra!), piscina, água fresca... ai, é boooom dar uma de madame de vez em quando!!

Ai, Jisuis...

Acabo de ler no UOL que o cineasta Neville d'Almeida vai realizar uma nova versão de "A Dama do Lotação", adaptação da obra de Nelson Rodrigues, da qual o próprio Almeida já realizou uma primeira versão lá nos idos da década de 70. E o que é pior: com Luma de Oliveira no papel principal.

Que me desculpe quem gosta, afinal, como o próprio Nelson já dizia, "toda unanimidade é burra". E eu não tenho a menor pretensão de ser unanimidade, então... Enfim, pra mim, os filmes de Neville d'Almeida, como "Os Sete Gatinhos" ou "Navalha na Carne",  não acrescentam absolutamente nada à obra adaptada, nem demonstram uma visão reveladora, nem são inovadoramente ousados... nada disso. São apenas ruins. Mal dirigidos, mal adaptados, mal interpretados. Totalmente dispensáveis. Mas essa é só a minha opinião...

Agora, um veneninho báááásico... - desculpem, mas não resisti - ... Luma de Oliveira????? Pelamordedeus... aí também já é demais... custava deixar ela lá tranquila com o bombeiro dela, que a gente aqui já tem incêndio suficiente pra apagar?

O texto do UOL, pra quem se interessar:

Luma vai filmar "Dama do Lotação"
A atriz e modelo Luma de Oliveira será a protagonista de uma nova versão de "A Dama do Lotação". O filme será dirigido por Neville de Almeida, que também esteve à frente do primeiro longa, de 1978, com Sônia Braga no papel principal. As filmagens começam em setembro. Na trama original, uma mulher recém-casada, que não consegue ter satisfação com seu marido, passa a buscar homens para ter relações sexuais em ônibus. Segundo o produtor Diler Trindade, responsável também pelos filmes da Xuxa, Luma reviverá a saga da personagem dez anos depois.

Neville D'Almeida, Luma de Oliveira e o produtor da Xuxa num filme só??? Jisuis... o pobre do Nelson deve estar se revirando no túmulo...

Ai, como é divertido ser má!!!

Aquele grito sufocado na garganta. Aquele grito que a gente prende e não deixa. Aquele grito que a gente vê, mas não sabe. Ou sabe, mas não quer. Ou quer, mas não pode. Ou pode, mas... vai saber.

O grito. O grito de dor, de desespero, de revolta. Ou mesmo de felicidade, de êxtase, de amor. Que a gente não permite. E contrai, e convive, e disfarça.

Mas ele não morre. Nem cessa. Ele cresce. E se alimenta de cada barreira, da repressão, do 'não pode', 'não deve', 'não quer'. E se agiganta, e a gente é que se esgota.

E mesmo quando ele morre, não é bonito de se ver. É triste. Enruga a alma, envelhece, acovarda. É a humanidade que perde. É a intensidade da vida que se esvai, é a apatia que se aconchega.

Mas quando a gente solta, ah, que maravilha! Especial. Único. Momento de não se esquecer até o fim da vida. Momento de vida, no sentido mais amplo da palavra. Vida viva. Vida bem vinda.

E que assim seja. Sempre bem vinda. Na terra como no céu.... e em cada pedacinho meu.

É disso que o mundo anda precisando...

Gentileza, meu povo!!!

“... abre os seus braços, meu irmão, deixa cair...
pra que somar se a gente pode dividir?
eu, francamente, já não quero nem saber
de quem não vai porque tem medo de sofrer ...”

O medo é uma das emoções mais primitivas e naturais do ser humano. Todo mundo tem medo. De uma coisa ou de outra, ou mesmo do nada. Ou de tudo. Como dizia um mestre com quem eu fazia meditação, "quem tem c... tem medo". Nada delicado, mas verdadeiro. E c... todo mundo tem.

A chave é como a gente lida com isso. Se a gente luta contra o medo, se quer fugir dele a qualquer custo, parece que é aí que ele ganha força. E derruba. Não de uma vez, mas aos pouquinhos, e quando a gente percebe, já recuou. Tudo por causa dele. O medo.

Mas se a gente aceita o medo, se lida com ele como parte necessária da existência, se ao invés de querer ultrapassá-lo a gente apenas deixa ele assim, meio de lado, como algo que está ali mas não faz muita diferença, aí é engraçado o que acontece. Parece que ele fica assim, meio envergonhado de não fazer muita diferença, meio sem espaço, sem jeito. E vai embora. E quando a gente menos espera, olha pro lado e ele já foi. Isso quando a gente lembra de olhar pro lado, porque na maioria das vezes a gente até esquece que ele estava ali. Porque já não importa mais.

A gente supera. Nem sempre a gente sabe, mas a força pra isso está aí, ao alcance das mãos. Custa um certo esforço, mas vale a pena. Esticar a mão e alcançar. E superar. E olhar pro medo, e encarar, e deixar pra lá. Como quem vê, sabe e aceita. E segue em frente.

Eu tenho medo. Não tenho vergonha de dizer. Milhares de coisas me dão medo. Mas é um medo bom. Aquele que impulsiona, que estimula, que constrói. Que esclarece e faz ver além.

Mas tem o medo ruim. Aquele que embota, que aprisiona, que bloqueia. Desse eu tenho medo.

Mas é exatamente porque eu tenho medo que ele não me pega...

Uma música que...

Outro dia li em algum lugar (sinceramente já não lembro se foi numa revista, num jornal, num site...) uma coluna onde os leitores davam opiniões sobre músicas perfeitas para cada momento da vida. Bom, eu, chata como sou, discordei de quase todas... então, como ninguém merece aturar minhas esquisitices, resolvi fazer minha própria lista aqui no blog. Quer solução melhor? Aqui, lê quem quer... ah, e pra quem quiser dar a sua opinião, a porteira dos comentários tá aberta. Quem não ficar satisfeito tá convidado a fazer sua própria lista!

Vamos lá... uma música que ...

me lembra a infância: "Tarde em Itapuã", Vinícius e Toquinho

me dá vontade de dançar: "Mamãe Oxum", Zeca Baleiro e Chico César, e "I Will Survive", Gloria Gaynor

me faz chorar: "Só", "Aos Filhos dos Hippies" e "Ao Nosso Filho, Morena", Oswaldo Montenegro (eita, que esse cara é f...)

me enche de vida: "Como Dizia o Poeta", Toquinho e Vinícius

me enche de ternura: "O Filho que Eu Quero Ter", Toquinho e "Nalgum Lugar", Zeca Baleiro

me faz refletir: "Cálice", Milton Nascimento e Chico Buarque

me deixa melancólica: "Minha Casa", Zeca Baleiro

me faz pensar na vida: "Eu só peço a Deus", Beth Carvalho e Mercedes Sosa

me dá vontade de chutar o balde e ir pro meio do mato: "Casinha Branca" (não sei de quem é...) e "Casa no Campo", Zé Rodrix.

me faz viajar na maionese: "Ele me deu um Beijo na Boca" e "Canto do Afoxé para o Bloco do Ilê", Caetano

me dá vontade de voltar a ser criança: "Tente Entender", Palavra Cantada

me faz ficar em silêncio: "Gracias a la Vida", Violeta Parra

me dá vontade de ficar juntinho: "Um Dia de Domingo", Tim Maia e Gal Costa

me lembra o meu amor: "É Você", Tribalistas e "Românticos", Rita Ribeiro

me dá energia: "A Tonga da Mironga do Kabuletê", Toquinho e Vinícius

me faz querer desistir de tudo: "A Lista", Oswaldo Montenegro e "Sinal Fechado", Paulinho da Viola

me dá vontade de cantar junto: "A Palo Seco", Belchior e "Águas de Março", Tom Jobim

me move a escrever (essa não podia faltar..): "Mariposa Tecknicholor", Fito Páez 

Tá aí! Tentei fazer sem pensar muito, o que significa que provavelmente assim que tiver terminado de escrever vou lembrar de várias outras músicas que não poderiam ter faltado aqui. Mas tudo bem, a intenção era registrar o momento... quem sabe num outro dia eu faço outra lista toda diferente dessa! E no outro dia, outra, e outra, e outra... ai, como cansa ser mutante! Ih, "Mutante", essa música é muito boa, peraí...

Pensei hoje que uma das melhores coisas da vida é a possibilidade de evolução. Saber que há sempre um longo caminho pela frente, não importa o quanto já se tenha percorrido. Porque a estrada é infinita.

É muito bom olhar pra trás e sentir-se diferente do que era há dias, meses ou anos. É um sinal de crescimento, de continuidade. Mostra caminhada, crescimento, melhora.

É só assim que vale a vida. Como um processo contínuo de aprendizado, erro e crescimento. Porque se for pra ficar sempre no mesmo lugar, qual é o sentido? Nascer, viver, morrer... e só? Não, pra mim não dá.

Eu quero é sempre ir em frente, tropeçar e cair se for preciso, mas sempre levantar. E sempre desejar mais e mais, e chegar além. Manter meus olhos sempre em direção ao horizonte, ao futuro. Porque olhar pra trás é ótimo pra compreender a vida, mas olhar pra frente é o que lhe dá sentido.

É, acho que hoje eu acordei meio assim, "sem medo de ser feliz"... rs... meio sem pudor, sem vergonha na cara, sem receio e sem meio termo... disposta a me entregar pra vida e abrir os braços para o que ela tiver pra me dar. E daí em diante... ser o que tiver que ser.

"... para que eu possa aprender na minha vida própria, (...) o que é o coração e o que ele sente. Amém. Assim seja. Sê bem-vinda, ó vida! Eu vou ao encontro, pela milionésima vez, da realidade da experiência, a fim de moldar, na forja da minha alma, a consciência ainda não criada da minha raça." *

* trecho de "Retrato do Artista quando Jovem", de James Joyce

 

"...se a vida não dá receita, eu não vou pagar a consulta..."

tem dias que é assim que a gente fica... se perguntando por que é que a vida não vem com manual de instruções...

tem dias que a tristeza pega a gente na curva, e chove aqui dentro...

tem dias que acontecem coisas que a gente não entende, e deixam uma dor na alma...

tem dias que a gente precisa mesmo é de silêncio, de ficar quietinho, de um pouquinho de sossego...

shhh...

Como todos já devem ter percebido, eu dei uma sumida desse mundinho virtual durante o carnaval... nenhuma viagem, ficamos curtindo Sampa abandonada pelos foliões de plantão que foram curtir o carnaval em outras bandas. A cidade estava mais tranquila, mais amena, mais gostosa... deu pra aproveitar.

Aproveitamos pra conhecer um espaço que foi reformado recentemente: a galeria Olido, no centro, perto do Teatro Municipal. O espaço estava bem abandonado, como todas as outras galerias do centro, mas foi todo redesenhado e agora virou um espaço cultural. Estava meio vazio, afinal a galeria foi reformada mas continua encravada em uma área nada agradável da cidade, totalmente abandonada... mas valeu a pena conferir o espaço.

O melhor de lá, pelo que deu pra perceber, é a sala Olido, uma sala de cinema aparentemente reservada para mostras temáticas de cinema. Aproveito pra recomendar um filme que vimos lá, "O Céu de Lisboa", de Wim Wenders.

Vale a pena conferir. É uma belíssima reflexão sobre a arte de se fazer cinema e de captar a poesia contida em cada detalhe do mundo, com uma câmera na mão e muita sensibilidade na alma. Tocante, poético, sincero. Recomendadíssimo.

Um espetáculo à parte fica por conta da trilha sonora, a cargo do grupo português "Madredeus". Beleza e melancolia na medida certa. Segue uma sinopse pra quem se interessar:

"Debaixo de um monte de cartas está um lacónico, porém imperativo, telegrama: o engenheiro de som Philip Winter tem que viajar até Lisboa para ajudar o seu amigo Friedrich Monroe, que está a rodar um filme naquela cidade.

Com um pé engessado, Winter atravessa a Europa de norte a sul até chegar à capital portuguesa, só que já é um pouco tarde demais: Friedrich desapareceu. Na grande casa onde vivia, o realizador não deixou mais do que uma película inacabada, imagens sem som recolhidas nas ruas de Lisboa com uma velha câmera de filmar, como a de Buster Keaton em "The Cameraman".

Pacientemente, Winter decide pôr o som nas imagens: encantado com a cidade, deambula pelas ruas de microfone na mão, atrás das filmagens do amigo. Entretanto conhece os Madredeus e a sua bela cantora, Teresa, a que Winter não fica indiferente. O grupo tinha alojado o cineasta e, antes deste partir, tinha mesmo chegado a compor a música para o seu filme. Winter trava ainda conhecimento com o realizador Manoel de Oliveira com quem fala de Deus, da arte e do cinema. Só que de Friedrich, nem rastro."

Vendo o filme, lembrei do depoimento de Wenders no delicioso documentário "Janela da Alma" (outro recomendadíssimo, pra quem ainda não viu... já sabem) dizendo que, mesmo após submeter-se a uma cirurgia para correção de seu problema de visão, voltou espontaneamente a usar óculos, porque "sentia falta do enquadramento".

É, seria bom se a gente pudesse ver o mundo sempre assim... apenas o suficiente para encher nossos olhos e almas de beleza, poesia, arte... seria bom.

"Um coração, de mel, de melão... de sim e de não, é feito um bichinho... no sol de manhã, novelo de lã, no ventre da mãe bate um coração..."

Só pra dar uma atualizada no 'boletim informativo da gravidez'... essas fotos foram tiradas na semana passada. 25 semanas, ou mais ou menos 5 meses e meio, por aí...

Elas estão meio escuras... Dêem um desconto, ainda estamos nos acostumando com a câmera digital!

 

O que eu queria

eu queria que as pessoas que eu amo fossem sempre felizes, e que a gente cantasse, e dançasse, e estivesse sempre junto pra dividir a vida.
eu queria chorar a ponto de lavar a alma e depois não chorar mais, e então entender a tristeza como a outra face da felicidade.
eu queria andar sem destino até encontrar o que eu não sei, mas desejo.
eu queria ver com nitidez e ser realista, mas enxergar além, e poder encontrar o significado profundo de cada detalhe do mundo.
eu queria dançar, gritar e festejar sem medo do ridículo, e ser o que eu quisesse e pudesse ser, o tempo todo.
eu queria poder entender o mundo, mas que ele mudasse antes disso, e que o que eu compreendesse já fosse o que no fundo eu sempre havia compreendido e não sabia. 
eu queria respirar fundo e sentir a pureza do ar, e expirar definitivamente todo o peso que carrego na alma.
eu queria afastar pra sempre a doença, o medo, a injustiça, a culpa, e que a vida de agora em diante fosse sempre a intensidade de um arco-íris.
eu queria compreender a morte e saber vivenciar a perda, e que essa compreensão me trouxesse um novo modo de ver a vida.
eu queria saber dizer tudo o que é importante pra quem é importante, e nunca deixar nada pra depois.
eu queria aprender mais e mais e mais e ter sempre mais pra aprender, e nunca perder essa sede diante dos mistérios por descobrir.
eu queria conhecer o mundo e ter um canto só meu pra voltar, e que esse canto fosse a fonte da minha força, e abrigasse tudo o que eu amo.
eu queria ser respeitada e compreendida sem reservas, e que o preconceito fosse deixado de lado pra sempre, e que a autenticidade não fosse mais um defeito.
eu queria acabar com a miséria, com a pobreza, com a fome, e que o mundo se transformasse em um lugar seguro.
eu queria que as pessoas se olhassem com ternura, e se estendessem a mão, e que todos se sentissem sempre em casa, onde quer que estivessem.
eu queria que o sol nascesse sempre brilhante, que fosse sempre verão, e que a gente sentisse sempre essa vontade de abrir o peito e inspirar a vida.
eu queria me sentir sempre livre, fresca, renovada, e que cada dia fosse sempre uma surpresa.
eu queria nunca desanimar, e ter sempre a força que às vezes me falta pra acreditar.
eu queria que os sonhos fossem coisas simples de se realizar, mas que ainda assim tivessem um gostinho de conquista.
eu queria estar sempre rodeada de amigos, e que esses amigos trouxessem os seus amigos, e que a gente formasse uma grande confraria, onde nunca haveria espaço para a desconfiança, para a inveja, para a solidão.
eu queria poder comer de tudo, não fazer exercício e não engordar.
eu queria me sentir sempre como uma criança, deslumbrada diante do milagre do mundo, e nunca perder a esperança, nem por um minuto.
eu queria.
eu queria tanto...
e o querer já é uma grande coisa.
hoje eu acordei cheia de querência...

Se a gente pensar bem, nada melhor que estar perdido... porque a gente pode ir pra qualquer lugar! Não há certo ou errado, qualquer caminho é um caminho possível! Quer liberdade maior que essa?

Eita! Eu tô querendo mesmo é me perder... me perder na vida, na amplidão, no horizonte. Me perder na liberdade, no amor intenso, na alegria insana. Me perder no riso, no olho no olho, nos abraços. Me perder pra me encontrar... sempre e sempre mais.

 

Tá, tá bom, eu sei que já tá todo mundo cansado de homenagens a pessoas que fazem parte da minha vida... mas é só mais uma, eu prometo!!!

Hoje é aniversário da minha madrinha (simbólica, já que eu não fui batizada), uma pessoa muito especial, única e que faz parte intensamente da minha vida desde que eu me entendo por gente. E eu só queria aproveitar esse canal pra desejar muita luz, muita energia positiva e muita felicidade pra ela! Parabéns, Fá!!

 

2 anos...

Hoje é nosso aniversário de casamento, eu e o Re completamos dois anos juntos... a sensação é engraçada. Por um lado, parece menos tempo, porque passou muito rápido e eu me lembro como se fosse hoje do nosso primeiro encontro, do primeiro beijo, da primeira noite... por outro lado, a intimidade, o conhecimento um do outro e a união que temos fazem com que a gente sinta que está junto há muito mais tempo. Desde sempre, na verdade.

O fato é que hoje é um dia especial, e eu não podia deixar passar em branco... então, peço licença aos que já estão cansados de tanta melação aqui no blog - sabe como é, grávida é um ser sensível, dado a sentimentalismos... fazer o que? - e abro espaço para um poema que diz muito da nossa relação  e do sentimento que temos um pelo outro... com a palavra, o poetinha, grande Vinícius, que, em um momento de extrema delicadeza, definiu como ninguém: "o amor é a vontade de estar perto, se longe, e mais perto, se perto"... quer explicação melhor?

 

Soneto do Amor Total

"Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
 
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
 
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
 
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude."

 

Um saravá especial a todos os apaixonados...

 

"... quando se aprende a amar, o mundo passa a ser seu..."




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