"... e, afinal, sobretudo para o essencial, estamos indizivelmente sós ... " (Rainer Maria Rilke)

Demorei muito tempo para entender a solidão como algo positivo. Ou pelo menos como algo que pode, dependendo das circunstâncias, ter seu lado positivo.

A solidão assusta. A todos, eu acho. O ser humano é bicho social, precisa de carinho, de convívio, de troca. Precisa do calor do outro. É vital como respirar.

Mas também é importante aprender a estar sozinho. E bem. Sozinho e feliz. Sozinho e em paz. Porque nem sempre estar com o outro é possível, e às vezes tudo o que a gente precisa é de um minuto de sossego, e da oportunidade de olhar bem pra dentro de si mesmo e encontrar ali as respostas que ninguém mais poderia dar.

É um aprendizado difícil, na maioria das vezes. Pra mim foi. Até que eu pudesse me olhar e dizer: é isso o que eu sou, e tudo está aqui. Tudo. E é por isso que eu preciso do outro. Não pra me completar, mas pra tornar o meu mundo mais extenso, mais complexo, mais rico. 

Porque a resposta não é se isolar. Achar que o resto do mundo, os amigos, os amores, são dispensáveis porque só nós mesmos podemos nos encontrar também não é o caminho. Pelo menos não aquele no qual eu acredito.

Eu acredito em sentir-se feliz por sí só. E aí procurar outro, porque quando a gente se divide a felicidade se multiplica. E tudo o que a gente é, e tudo o que tem de bom cresce a olhos vistos. Ter alguém amado ao lado, um amor ou amigo a quem recorrer, não é uma declaração de incompetência ou dependência. Pelo contrário, é uma declaração de generosidade. E de coragem.

Porque se abrir para o outro e aceitar o risco de perder é um ato extremo de coragem. Maior ainda quando a gente o faz porque quer, e não porque precisa.

Mas tem recompensa. Que é muito maior do que a gente imagina. E tem um gosto bom demais.

E esse a gente só conhece quando entende que a solidão também faz parte. Quando compreende, aceita e abraça. E aceita os momentos em que precisa ficar só. E aprende a crescer com eles, e amá-los de todo o coração.

Porque a luz é sempre muito mais intensa depois que a gente passa um tempo no escuro.

 “Eu disse a uma amiga:
- A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
- Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”
(Clarice Lispector)

Eu superexijo. Muito e o tempo todo. Quero tudo o que a vida tiver pra dar e mais um pouco. Quero viver tudo até a última gota. Não deixar nada pra depois e sentir o máximo de cada minuto, bom ou ruim. Rir e chorar. Aprender e ensinar. Ver e ser vista. Amar, ser amada, desejar. Conhecer, sorver, esgotar as possibilidades...

Definitivamente, eu não nasci para o meio-termo...

Pra quem curte fotos, esse final de semana foi farto...

Portanto, mais uma vez, atendendo a pedidos... fotos fresquinhas do barrigão!! (onde a Ana Luz e a Estrela vão ficar ainda mais um tempinho... pelo menos mais cinco semanas!!)

um relax básico... repouso, repouso, repouso!!

comunicação intra-uterina...

a barriga mais fotografada do pedaço...

onde será que essa barriga vai parar...??

que grávida mais zen...

papais-coruja??? Imagina... quéééé isso...

ai, que beijo gostooooooso, papai...

Ufa, ufa, ufa... bom, agora que já enchi o blog de fotos, quero elogios!!!  Não se esqueçam, grávidas são seres sensíveis...

Primeiro era a luz. A luz surgida do nada. Uma luz intensa, apesar de mínima, como que vinda de uma fresta de janela aberta não se sabe pra onde.

Seguiu a luz. Nada mais que um impulso. Uma certeza. Não sabia dizer porque. Mas sabia que devia segui-la. Sabia que aquela luz continha, de alguma forma ainda obscura para si e para o mundo, sua salvação. Sabia que, se não a seguisse, morreria. E da morte em vida, que é a pior das mortes.

A luz crescia. Na caminhada, no dia-a-dia, no passo a passo. Cada vez mais forte, mais poderosa. Mais transformadora. Mas era aquela luz. A que não ofusca. Alimenta.

Sentia-se mais e mais mudada. Renovada. Cheia de possibilidades. Mas também assustada, porque tudo era grande demais e ela se achava pequena. Não era, mas achava. E se assustava.

Quis olhar para trás, mas já não podia voltar. Disso sabia. De nada adiantaria olhar para trás, o antes já não lhe cabia. Se achava pequena mas era grande. Era demais para o que tinha deixado. Então não olhou.

Sentia-se só. Forte, mas só. E que a solidão ameaçava sua força. A solidão má, aquela que fere. Aquela que afasta da voz amiga, do aperto de mão, do olhar cúmplice. Desejava com toda a intensidade de que era capaz compartilhar a vida. A vida dividida, que seria mais vida. E, desejando, seguiu em frente.

Teve medo de perder-se. E de nunca ser encontrada. E de morrer. E de viver pra sempre tão só. E de não ter outros olhos para mirar que não fossem os da gélida solidão. Do vazio. Mas não desistiu. Aceitou o medo, e seguiu em frente.

E seguiu. E seguiu. E caminhou de mãos dadas com o medo, com a solidão, com a dor. Aprendia a conviver. A não lutar quando não era preciso. A não desperdiçar. E olhou para a frente.

E foi então que viu. E estava tudo ali. Momento indescritível, imenso, inesquecível. Era a vida. A sua. A que havia desejado. E sempre estivera ali, a sua espera. Agora compreendia. Precisava ser o que era agora para enxergá-la e compreendê-la. E viver. Viver. A sua vida. O seu desejo. A sua luz.

Depois de tanto tempo, estar em casa. Pisar e ficar. E encontrar olhares, abraços, sons e cheiros amigos. E carinho. E aconchego. E amor. A vida. A sua. E a luz, que tornara-se tudo. Tornara-se a própria essência.

E se entregou. E fundiu-se. E deixou de existir como havia sido para tornar-se o que realmente era.

E vive até hoje. E nunca se soube que tenha desejado voltar...

Imagino que o pessoal que anda por aqui deva estar estranhando esse silêncio de tantos dias aqui no blog...

Explico: é que desde quarta-feira da semana passada, estou de repouso por causa de uma 'ameaça de trabalho de parto prematuro'. Já está tudo sob controle, não tenho mais contrações, as meninas voltaram a ficar tranquilinhas aqui dentro (depois de muita conversa... rss...), mas ainda tenho que ficar de repouso. E provavelmente vai ser assim até o final da gravidez, lá pelas quarenta semanas (pensamento positivo é tudo...  )

Enfim, tá um pouco mais difícil escrever aqui, mas vamos levando como dá...

Mas não se preocupem, que eu dou uma 'fugidinha' do repouso sempre que der, pra dar uma 'escrivinhada'... afinal, manter a mente ocupada é tudo!!!

Eu AMO estar grávida... me sinto realizada e completa como nunca. Em perfeita harmonia com o meu corpo, com a natureza, com o universo, com a força geradora da vida. Me sinto inteira, linda. Viva. 

Pra mim, o termo 'estado interessante' é um tremendo eufemismo. Porque a gravidez é muito mais que interessante. É transcedental, é sublime. É mítica. É uma conexão profunda e intensa com a humanidade, com o mundo, com o amor. Pelas pessoas e pela vida.

Eu bem que tento, mas não dá pra descrever. Acho que só quem já passou por isso sabe. A sensação única de sentir um serzinho crescendo dentro de você, de viver uma ligação com alguém que você nem conhece, mas sente.

Eu adoro sentir as duas pimentinhas mexendo na minha barriga. Conversar com elas, acarinhar, conectar. Tudo isso é bom demais.

E o espaço que elas ocupam já é muito maior do que esse aqui dentro. É infinito. A intensidade do amor por duas pessoinhas que ainda nem chegaram a esse mundo chega a assustar. Porque é tão imensa quanto inexplicável e maravilhosa.

O fato é que, aos sete meses de gravidez, eu já estou com saudades... pode?? Saudades de senti-las se movimentando, se ajeitando, se comunicando a seu modo. De carregar orgulhosa esse barrigão lindo, cheio de significado. De pensar sempre se o que estou comendo, bebendo ou fazendo vai fazer bem pra elas. De descansar a mão sobre a barriga e de repente sentir um chutinho, como que dizendo: 'é, eu estou aqui, você se esqueceu?'...

Gravidez é uma experiência linda demais. Intensa demais. Verdadeira demais. Feminina. Inexplicável. Eu não trocaria por nada. Mesmo com todo o peso da barriga, a dificuldade para dormir, o inchaço, os enjôos no início... ainda assim eu passaria anos e anos grávida...

Mas tem prazo, né? Data certa pra acabar, não tem jeito. Uma hora elas vão sair pra esse mundinho doido que está aí... pra viver suas vidinhas independentes.

Ai, deu até uma pontinha de melancolia pensar nisso agora...  ai, ai, ai!

Dá licença, que eu vou ali chocar minhas crias e já volto...

"... os pés, de manhã, pisar o chão, eu sei... a barra de viver..." (*)

Tem momentos na vida em que a gente tem vontade de desistir... que atire a primeira pedra quem nunca passou por isso. Quem nunca se viu num 'mato sem coelho', sem saída, sem vontade, sem forças. Às vezes a gente hesita mesmo. Perde a coragem, perde a fé, perde a esperança. Quer encostar, desistir, entregar.

Às vezes as coisas ficam difíceis, mesmo. E o pior - ou o melhor, dependendo do ponto de vista - é que isso faz parte do processo, é uma etapa necessária. A gente cresce com isso. Mas não é fácil. Isso eu não nego.

Essa semana recebi uma lição que espero não esquecer nunca. Uma pessoa que conheço me ensinou algo tão grande, tão importante. Tão simples e ao mesmo tempo tão infinito. Algo que muita gente passa a vida sem entender. Eu não sei se eu entendi. Talvez não completamente. Mas eu vivenciei. Armazenei. E um dia, quando eu estiver pronta, o entendimento virá mais fácil. Disso eu sei.

Nem tudo na vida depende da gente. Nem tudo a gente pode mudar. Nem todas as dores são evitáveis, nem todos os problemas são contornáveis. Algumas coisas a gente tem que viver e pronto. Porque não tem outro jeito. E a gente tem que aprender o mais difícil: a aceitar e descobrir algo para aprender com a dor. Não é dar uma de 'Poliana' e viver num eterno 'jogo do contente'. É mais maduro do que isso. É encarar que a vida é uma sucessão de acontecimentos imprevisíveis. Uns bons, outros ruins. Mas quase todos necessários. Porque constróem um caminho no qual a gente tem a oportunidade de crescer, de amadurecer, de se superar. E de ser mais e mais feliz, por mais paradoxal que possa parecer.

Parece simples. Eu mesma achava simples. Óbvio. Mas percebi que não é.

Eu não sei se já aprendi a aceitar. Algumas coisas sim, outras não. Algumas que eu gostaria de aceitar eu não consigo.

E tem outras que eu não aceito e nem quero. Porque também tem isso. Nem todo sofrimento é necessário. Alguns a gente pode evitar.

O que eu quero é poder ver com clareza, entender o que é o que, ser feliz e chorar quando for preciso, e deixar de lado o que não me serve.

Não é fácil, mas eu chego lá. Ah, se chego...

...e, se deus quiser, tudo, tudo, tudo vai dar pé...

(* trecho de "Não Chore Mais", de Gilberto Gil)

"... eu bem queria fazer um travesseiro dos teus braços ..."

Ô, coisa gostosa... ter um colo pra se aninhar, pra encostar e sonhar, pra esquecer da vida...

É muito bom a gente encontrar alguém em cujos braços a gente se sente em casa. Tocar as mãos do outro e se sentir tocando quase uma extensão de si mesmo. Se reencontrar nos olhos de quem a gente ama, se reconhecer, se aconchegar.

E se sentir segura. Não porque aquela pessoa te impede de sofrer, ou constrói uma barreira para que nunca nenhuma dor ou tristeza chegue até você. Não. Não por isso. Mas simplesmente porque ela está ali. E porque, seja o que for, ela vai estar ali. E você sabe. Sente e sabe. E, por maior que seja a dor, compartilhada sempre fica mais leve...

E, quando encontra isso, a gente não precisa de mais nada.

Pelo menos eu não preciso...

8  DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

"A mulher é a poesia de Deus..."

Sempre adorei ser mulher. Nunca quis ser diferente. Lembro, quando era pequena, das amigas dizendo que preferiam ser menino, pra poder fazer xixi em pé ou no meio da estrada, pra poder chegar mais tarde em casa ou ter mais liberdade, e sei lá mais por que razões. Mas eu não. Eu era feliz sendo mulher. Era feliz com um pequeno número de limitações e um infinito de possibilidades que essa condição me trazia. E, naquele tempo, eu nem fazia idéia do quão infinito era esse infinito.

Sempre achei ser mulher um presente, uma benção, uma sorte. E que as mulheres eram mais livres, menos cobradas - muitas cobranças sutis eu só perceberia bem mais tarde -, mais felizes. Mais fortes e menos obrigadas. Mais plenas.

Talvez porque tive a sorte de ter grandes exemplos de grandes mulheres à minha volta. Mulheres incríveis, inacreditáveis, insuperáveis. Meus dois grandes modelos femininos, que marcaram minha vida e minha feminilidade de uma forma que até hoje acho que não saberia dimensionar por completo. Minhas duas rainhas, guerreiras, leoas: minha mãe e minha avó.

Duas mulheres que viveram. No sentido pleno do verbo. Encararam a vida, riram e choraram, enfrentaram o que devia ser enfrentado. E aprenderam a aceitar. Não com resignação, mas com sabedoria. Essa que não se ensina. Mas que, com sensibilidade, se pode aprender.

Uma delas já se foi. Mas vive presente dentro de mim. E viverá sempre, porque faz parte daquilo que eu entendo por ser mulher. Por ser fêmea.

A outra caminha ao meu lado. E me ensina a cada dia. E eu espero também poder ensinar algo. O que eu sei e vivo da minha feminilidade, da minha própria alma guerreira, da minha própria essência de leoa.

E aí vêm mais duas... duas leoazinhas que, se depender de mim, vão aprender desde cedo. A ser fortes sem perder a ternura. A amar e se entregar e não temer a dor. A ser fêmeas, guerreiras, rainhas. Mas também gatinhas, bonequinhas cheias de charme e doçura como só uma grande mulher sabe ser...

Putz, esse pessoal é obcecado...

A galera que visita o blog não cansa de pedir por fotos, fotos e mais fotos... bom, os últimos tempos têm sido corridos e nem pra fotografar tá dando! Em todo caso, pra não dizer que eu sou intransigente, tô colocando aqui uma tirada no fim de semana passado, em Santos. Ficou escura, pra variar, porque a gente ainda não tá 100% familiarizado com a câmera digital, mas eu achei que deu um efeito bonito. E também, se alguém reclamar, vou dizer que tem gente que não se contenta nunca...

Só pra situar: foto tirada na 29 semana, o que dá mais ou menos seis meses e meio...

Escrever, pra mim, é uma compulsão. Muito mais que um desejo ou uma inspiração. É um imperativo. Não há como fugir. Nem a opção de não escrever.

Faz parte de mim como ato cotidiano, como algo que nem sempre quero fazer, mas preciso. Mas que, de um jeito ou de outro, sempre acaba me dando prazer. Embora muitas vezes doa. E de um jeito que eu nem sei.

Mas, seja como for, é a minha forma. De ver o mundo, de me comunicar, de expor o que eu sou. Eu (nem sempre, mas às vezes...) luto contra uma timidez irreparável, e pela qual até devo confessar que tenho certo carinho, porque protege minha tão valiosa privacidade. E encontro no ato de escrever um caminho para a liberdade, para o infinito, para a amplidão. Para uma experiência de vida intensa, inteira, inquestionável. Para a paixão, para o delírio e para o mistério. Esse que eu tanto amo e que quero tanto desvendar. Mas que não quero que deixe de ser mistério.

É por isso que escrevo quase como quem respira, come, caminha. Como uma parte inseparável. Como algo que invade e vai, quase sem que eu me dê conta.

Mas também há o medo. Esse que nunca some. Da exposição, da entrega, da verdade que não se pode evitar. De encarar o que surge quando se começa. E já não se pode parar. E do outro. Do que está do outro lado e lê. E a gente não conhece, e não prevê. E ele penetra o nosso mundo, e a gente já não tem como se defender.

Mas quando se ultrapassa o medo, ah, aí a sensação é boa demais. Da entrega. De ter se exposto e se doado sem reservas através da linha escrita. Que muitas vezes é a entrega mais íntegra que se pode exigir de um ser humano. E que é verdadeira, mesmo que não se queira.

É um privilégio. Escrever. Poder e gostar. Mas também pesa, às vezes. Porque nem sempre a gente quer.

Mas sempre precisa.

Esse povo não tem mais o que fazer... inventa de pesquisar cada coisa...

Li agora uma notícia da BBC online falando de uma pesquisa que dizia ter descoberto uma forma de determinar o 'potencial de agressividade' de um homem. Não,  você não precisa provocá-lo nem correr riscos desnecessários: basta olhar para a mão do sujeito. É, para a mão...

Quanto maior for a diferença entre o dedo indicador e o anular do 'muchacho' em questão... pimba!! Maior a agressividade...

Então, já sabem: se virem por aí um homem com um dedo anular longo demais... todo cuidado é pouco!!

O problema é se o cara invocar porque você está olhando demais pra mão dele... aí você descobre o potencial de agressividade do dito cujo sem nem precisar de pesquisa...

*a notícia na íntegra: http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2005/03/050304_dedocl.shtml

AO NOSSO FILHO, MORENA
(Oswaldo Montenegro)

"Se hoje tua mão não tem manga ou goiaba,
se a nossa pelada se foi com o dia
Te peço desculpas... me abraça, meu filho
perdoa esta melancolia
E se hoje você não estranha a crueza
dos lagos sem peixe, da rua vazia
Te olho sem jeito... me abraça, meu filho
Não sei se tentei tanto quanto eu podia
Se hoje teus olhos vislumbram com medo,
você já não vê e eu juro que havia
Te afago o cabelo... me abraça, meu filho
perdoa esta minha agonia
Se deixo você no absurdo planeta
sem pique bandeira e pelada vadia
Fujo do teu olho... me abraça, meu filho
Não sei se eu tentei, mas você merecia...
"

Essa música sempre me tocou, mas agora... adquiriu um significado todo especial. Ouvi-la me fez pensar em tudo o que eu gostaria de dar para minhas filhas. Não coisas materiais. Vivências. Sensações, experiências que eu gostaria que elas tivessem e que talvez não tenham. Porque o mundo é o que é, e porque a vida é o que a gente pode fazer desse mundo. E a gente consegue melhorar muito, mas não tudo.

Parei pra pensar também nos meus próprios pais. Em tudo que talvez eles tenham sonhado pra mim, em tudo o que talvez tenham desejado que eu vivesse e eu não vivi. Porque eu também ganhei um mundo pronto de presente, e a gente molda, transforma, adequa, mas há coisas que são. E ponto.

Mas eles me deram muito. Me deram a possibilidade de viver em um mundo com o qual não concordo e não me conformar. De lutar pelo que eu acredito e não perder a fé, mesmo quando tudo dá errado. De ter sempre forças pra levantar, mesmo quando tudo parece fazer a gente ficar no chão. De manter o sorriso, a alegria, a leveza. Me deram, principalmente, a certeza do amor, da ternura, do aconchego e do apoio. De nunca estar sozinha.

Pais são seres estranhos. É, eles erram. Eu também vou errar. Mas eu tenho sorte. Porque pude aprender demais. Receber demais. Fui abençoada com o melhor presente que se pode ganhar de alguém: a possibilidade de ser você mesma e ser amada por isso. Não há o que pague.

É, talvez falte muita coisa. Talvez falte ar puro, fruta pra colher do pé, liberdade de correr sem limites. Mas isso se conserta. Se contorna. O essencial é o ser. O poder ser. E o amor.

E isso não faltou. Pra mim não.

E nem vai faltar. Pra elas...

“Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho!”

Hoje lembrei dessa frase do delicioso (poeticamente, que fique claro...) Mário Quintana, que li há um tempão. E ela teve esse efeito, meio que um alívio, como que um respirar bem fundo, daqueles de deixar a gente bem leve...

Essa é para aqueles dias em que a gente está se sentindo sobrecarregado, cobrado, boicotado. Aqueles dias em que parece que está tudo conspirando pra que nada daquilo que a gente quer dê certo. Aqueles dias em que o mundo parece querer apontar todos os nossos erros, os nossos tropeços, as nossas fraquezas. E tudo o que a gente quer é ficar sozinho, pra voltar a acreditar.

Eu voltei. E não foi tão difícil, não. Foi só querer. E aqui estou eu, acreditando de novo...

Quem quer abrir os braços e acreditar comigo?

   Esses tais 'Anos 80'...

A década de 80 foi a pior, eu acho. Em termos estéticos... as roupas, os cortes de cabelo, as modas... gente, o que era aquilo? Todo mundo com aquele cabelo a la Chitãozinho e Xororó... Deus me livre!!! Eu também tive. Aliás, alguém pode me explicar o que é que passava pela cabeça das mães pra cortar os cabelos das filhas daquele jeito??

E a moda? Aquelas roupas de cores extravagantes e modelos estapafúrdios, calças agarradas com blusas largas, cintos gigantescos, tecidos estranhos... e quando veio a moda das cores "vibrantes"? Era um tal de rosa pink pra cá, verde limão pra lá...


E as coisas de que a gente gostava? Faço uma confissão: eu era fãzona dos Menudos. É, tenho que admitir, fazer o que? Sim, eu passava os meus dias ao som de "Não se Reprima", eu tinha um álbum autografado pelos Menudos... aliás, pára tudo!! Eu tenho até uma fita gravada comigo cantando "Doces Beijos", dá pra acreditar? Essa é do arquivo negro... e eu não mostro nem sob tortura! Aliás, se me perguntarem se fui eu que escrevi isso aqui, eu nego até a morte! E a gente tinha a coragem de dizer que eles eram lindos... as meninas se debatiam, choravam, gritavam quando eles passavam... creeeedo!

Mas também teve muita coisa divertida. Eu acho que a melhor época pra ser criança foi a década de 80. Tinha aqueles seriados japoneses mal feitos até o último detalhe, mas que a gente acompanhava como se fosse a grande obra de arte da década... e os seriados americanos, com aquelas dublagens horríveis, que passavam na Globo... "Vicki", aquele que tinha uma robozinha, alguém lembra?? E "Alf, o E.T.eimoso"... noossa, era cada coisa...

E os brinquedos? Inesquecíveis também. Pogoboll, quem não brincou? Eu nunca consegui aprender... uma frustração pro resto da vida! Só curável com anos e anos de terapia... e tinha aqueles carrinhos que viravam robôs, a gente ia colecionando... aliás, por falar em coleção, quer coisa mais gostosa que colecionar figurinha? A ansiedade de rasgar o pacotinho no caminho de volta da banca pra casa, e a frustração de encontrar uma figurinha repetida – que sempre vinha. Alguém por aí se lembra daquelas figurinhas "Amar é..."? E não era só isso que a gente colecionava, não. Era álbum de tudo quanto era tipo, e a gente nunca conseguia completar um. Eu, pelo menos, nunca consegui.

Tem mais um monte de coisas que dava pra ficar lembrando aqui. Os programas de TV, Fofão, Xuxa, Trapalhões, Armação Ilimitada. Os brinquedos, Genius, Moranguinho, Ursinhos Carinhosos, Barbie, Lego, Playmobil. As músicas, Trem da Alegria, Dominó, Polegar. Os desenhos, He-man, Shee-ra, Smurfs, Caverna do Dragão. Sessão ‘revival’ total. Viajei...

Puxa, pensando em tudo isso agora me bateu uma nostalgia... taí, eu não tenho do que reclamar da minha infância. Lembrança gostosa é o que não falta. Naquele tempo (nossa, agora eu me senti velha...) a gente não passava os dias vidrado na frente do videogame, ou do computador. A gente aproveitava a infância de um jeito bom, ainda inocente. Ainda criança.

Agora pensando... até que a década de 80 não foi tão ruim assim. Teve sua beleza. Não estética, que fique claro! Mas acho que eu não ia querer ter sido criança em outra época...




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