"Eu queria criar juízo, mas não sei o que ele come!"

(frase do dia, vinda da minha querida amiga Didi: http://www.ditudoumpouco.nafoto.net)

... e se fossem três, onde é que eu ia acomodar a terceira...?

... aceito sugestões!

"Mas dei a volta por cima, sim. Por cima de mim. E passando por cima de quem tentar me atropelar!"

Essa tal de internet tem me trazido muita coisa boa. Através dela eu conheci muita gente legal que não teria conhecido de outra forma. Acima de tudo, conheci mulheres admiráveis, guerreiras, conscientes, maduras. Mulheres que eu admiro. Amigas, algumas virtuais, outras nem tanto.

Uma delas eu não conheço pessoalmente. Mas já tenho por ela uma admiração enorme. E um carinho grande também. Falo da Cyça (http://www.blogdaprenha.blogger.com.br/), linda amiga carioca que teve seu fofíssimo Ian um pouco antes do nascimento das pimentinhas. E foi essa amiga virtual - mas nem por isso menos importante - que me presenteou com essa frase que eu coloquei acima. E que, com ela, me ajudou a compreender o meu próprio momento.

Eu acho que também dei a volta por cima. Experimentei a sensação de não conseguir algo que eu queria muito, e que acreditava poder. De chegar pertinho da linha de chegada e desviar. Não totalmente, mas de forma significativa.

E experimentei a frustração que vem junto. Essa sensação de perder algo que se cuidava com tanto carinho. Que se acalentava, se protegia. Como era esse sonho que eu vivi meio que pela metade.

Isso dói. A gente sonha o sonho inteiro, não aos pedaços. E quando ele chega assim, meio diferente do que a gente sonhou, mesmo que não seja ruim deixa a gente com um certo vazio. Uma sensação de não ter conseguido.

Eu vivi muito do meu sonho. Mas não vivi tudo. Alguma coisa ficou pelo caminho, e eu acho que já me dei o tempo de chorar por ela. E agora descobri que chega.

É que eu estou feliz demais pra ficar olhando para trás e tentando juntar os caquinhos do que se quebrou pelo caminho. Porque o que já se quebrou não se conserta mais.

O importante é a gente saber que fez o que pode. E não ter do que se arrepender, porque arrependimento é o peso maior que se pode carregar.

E nessa vida, quando um sonho fica pra trás, a gente tem que ter sempre um novo sonho pra sonhar.

Então dá licença, que eu vou ali sonhar um sonho novinho em folha...

As meninas deram pra desembestar a falar... fica um blá blá blá o dia todo por aqui.

Quer dizer, blá blá blá não, porque a língua delas é mais criativa. É aguuu, abuuu, guiiiii, aiiii... e sabe-se lá mais o quê.

Eu fico boiando na conversa...

Ser trilíngue agora não me ajuda em nada. O que eu queria mesmo era entender essa língua aí...

... e a cada dia, eu descubro que a vida foi feita para ser vivida. Não pensada. Mas vivida. Porque a vida nos foi dada cheia de cores e é ignorância demais optar por viver em tons de cinza. Porque cada passo é cheio de dor e amor ao mesmo tempo, e não se pode querer apenas um lado da moeda. Porque cada um é um universo cheio de possibilidades, mas é preciso se doar para receber...
... e eu fecho os olhos e compreendo que nada no mundo é mais importante do que estar disponível. Para o mundo, para os outros, para você mesmo. Porque quem se fecha em si perde a grande maravilha da vida, que é compartilhar. Descobrir a riqueza daquilo que nos é estranho. Do diferente...
... e eu canto, porque mesmo nos dias mais difíceis a vida merece poesia. Na verdade, ela nunca deixa de ser poesia. Basta que a gente esteja disposto a procurar naqueles cantinhos que ainda desconhece...
... e eu desejo brincar, porque a alegria é opção. E eu não quero, e não posso nunca deixar de optar por ela. Porque o meu sorriso é o que me faz compreender verdadeiramente a necessidade da dor. Por mais estranho que isso possa parecer...
... e eu aprendo, porque a cada passo há a possibilidade do crescimento. E eu não quero nunca acordar e me perceber sem sair do lugar. Eu quero ir sempre adiante, quero descobrir sempre mais, quero estar sempre além do que eu mesma imaginei...
... e eu agradeço, porque há algo nisso tudo que está muito acima de mim. Algo que não compreendo, e nem quero. Porque me basta sentir que existe...
... e eu escrevo, porque é a minha forma de me conectar com tudo. Comigo, com os outros, com o mundo. Com a vida, em todas as suas nuances...
... e é escrevendo que me perco...
... e é escrevendo que me encontro.

"... é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã... porque se você parar pra pensar, na verdade não há..."

Às vezes cai uma ficha e a gente percebe o quanto algumas palavras são verdadeiras. O quanto refletem o que é a vida.

Só que perceber é só o primeiro passo. O mais importante é viver.

Mas sem o primeiro passo não se chega a lugar nenhum...

 

(*)

A Selma (http://www.joaovittinho.bigblogger.com.br/) andou me passando uma 'batata quente'... pelo que entendi, é um jogo entre blogueiros no qual um vai passando para o outro perguntas que devem ser respondidas nos seus respectivos blogs. Bom, eu não sou de estragar a brincadeira de ninguém, então... lá vai:

Quantos gigabytes usa no micro com música: putz... nem idéia!

Último CD que comprou: "Meu neném", do grupo 'Palavra Cantada - aliás, recomendadíssimo pra quem tiver bbs irritados por aí... aqui em casa funciona que é uma beleza. Quando as pimentinhas estão dando 'aquele' baile, é só colocar o CD que acalma as ferinhas na hora...

Música tocando agora: "Minha Casa", do Zeca Baleiro.

5 músicas que tem escutado bastante: "Eu só peço a Deus" (Mercedes Sosa e Beth Carvalho) , "Gracias a la Vida" (Mercedes Sosa), "Mariposa Technickolor" (Fito Páez), "Banho Maria" (Joyce) e "Mais uma Vez" (Renato Russo).

Bom, tá feito... agora, como eu achei a idéia interessante e fiquei pensando em coisas que gostaria de saber dos amigos blogueiros por aí, resolvi também criar minhas perguntas para os amigos responderem. Escolhi cinco amigos que acho que vão curtir a brincadeira: a Thaís (http://burranona.blogspot.com/), a Carol (http://carolgurgel.zip.net/), a Ana Carol (http://www.eunomeumundo.blogger.com.br/), a Ciça (http://www.cissinha.de) e o Bhuda (http://bhuda.blogspot.com/). Eu respondo primeiro. Aí vamos ver se eles se animam a responder também...

3 músicas favoritas: "Eu só peço a Deus" (Mercedes Sosa), "Eu sei que vou te amar" (Vinícius de Moraes), "Casinha Branca", que não sei de quem é, se alguém souber e quiser postar nos comments...

3 livros favoritos: "A Descoberta do Mundo" (Clarice Lispector), "As Meninas" (Lygia Fagundes Telles), "A Metamorfose" (Franz Kafka)

3 filmes favoritos: "Central do Brasil" (Walter Salles Jr.), "Festa de Família" (Thomas Wintemberg), "Tudo Sobre Minha Mãe" (Pedro Almodóvar) e "Amores Brutos" (Alexandre Iñarritu Gómez) - desculpe, eram 3, mas não deu pra tirar um dessa lista, são todos básicos...

3 sonhos a realizar: fazer o roteiro romântico Praga-Viena-Budapeste, fazer uma especialização em adaptação de textos para cinema e ter mais um filho (olha aí, Bê, você vai ter que colaborar nesse...)

frase que te define no momento: "... eu não quero ter razão, eu quero é ser feliz!"

Batata quente lançada... quem se habilita???

(*imagem extraída de http://www2.correioweb.com.br/hotsites/alimentos/batata/alimentos.htm)

Saiu hoje no Jornal da Tarde a matéria sobre as doulas. Entrevistaram a gente há uns quinze dias, mais ou menos. Vieram fotografar e tudo.

O que saiu lá não foi exatamente o que eu disse. Entortaram um pouco os significados das coisas. Mas enfim... pelo menos a foto ficou boa.

O link da matéria é só para assinantes. Ou então tem que preencher um big cadastro para poder acessar gratuitamente. Para quem for assinante, ou para quem tiver saco de preencher o cadastro... http://www.jt.com.br. A matéria está na primeira página do caderno 'Sua Vida'.

Pra quem estiver a fim de saber um pouco mais sobre o trabalho das doulas... http://www.doulas.com.br

Minhas meninas, tão pequeninas e já saindo no jornal... chique no úrrrrrrrrrtimo!

(*)

"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar."
(**)

Eu ainda quero aprender isso. Até acho que venho aprendendo, pouco a pouco, no meu ritmo, um passo depois do outro. Praticando dia a dia esse desapego de amar e deixar ir. Deixar ser. Deixar viver.

Não é fácil. Parece simples. Mas só parece. Quando a gente ama, quer guardar, proteger, trancafiar. Esconder num cantinho só nosso, como se assim, afastando quem a gente ama do mundo, pudesse afastar também a possibilidade da perda.

E o mais triste é quando a gente percebe que essa proteção toda é na verdade uma grande ilusão. E o caminho mais rápido para a perda que tanto amedronta. A verdade é que amor não se garante, não se promete, não se jura. Amor acontece. No dia a dia. Em cada pedacinho da vida.

E quando a gente entende que a grande maravilha é deixar livre, que não há nada mais lindo para se apreciar do que o vôo livre de quem a gente ama, é que a gente consegue se entregar de verdade. E amar nos limites do improvável.

Porque o amor de verdade é aquele que solta, não o que prende. É aquele que quer ver o outro crescer,aprender, caminhar por suas próprias pernas. E que torce pra ter um lugarzinho reservado nesse caminho. E se não tiver, é porque não era mesmo pra ser.

Eu não digo que seja fácil. Aliás, eu sei que não é. Por isso é que eu disse desde o começo que esse desapego é algo que eu ainda estou aprendendo. E sei que ainda vou levar muito e muito tempo para poder dizer que entendi completamente o que é amar o outro para o mundo, e não para si.

Mas eu sei que é o único caminho. Porque não se pode ter o outro. Pessoas não são coisas.

E sei também que vai chegar o dia em que vou saber abrir os braços sem medo e libertar quem eu amo. E sentar à beira do caminho pra simplesmente assistir cada passo.

Não vai ser fácil. Mas eu acho que vai ser muito bom. E muito bonito de se ver.

(*ideograma significando liberdade, imagem extraída de http://www.ebanatow.com.br)

(** poema de Antônio Cícero)

(*)

Dá licença que eu vou ser coruja!

Olha que coisinhas mais lindas...

Ana Luz

Estrela

... e fui eu que fiz...

... claro, com o devido crédito ao maridão!

(*imagem extraída de http://www.protesc.com.br)

 (*)

Eita tempinho horroroso...

Eu não sei onde me esconder desse gelo todo.

Se pelo menos sobrasse uma neve pra gente fazer bolinhas, bonecos... brincar um pouco.

As meninas ficam geladinhas. Cheias de frio. A gente enrola tanto elas que ficam parecendo lagartinhas dentro do casulo. Judiação.

Eu estou oficialmente de relações cortadas com São Pedro.

Receber minhas meninas com um frio desses...

Humpf!

(Imagem extraída de http://damianfernandez.org)

... eu não acho que deus seja brasileiro.
... não acho que o dinheiro traga a felicidade, nem que mande buscar.
... não acho que em Roma se deva fazer como os romanos.
... não acho que o sabiá soubesse assobiar.
... não acho que haja sempre um chinelo velho para um pé cansado.
... não acho que a vida comece aos quarenta.
... não acho que o rato tenha roído a roupa do rei de Roma.
... não acho que um seja pouco, dois seja bom e três seja demais.
... não acho que deus ajude quem cedo madruga.
... não acho que o bicho papão more em cima do telhado.
... não acho que amar seja sofrer.
... não acho que todo amor seja eterno.
... não acho que o sapo não lave o pé porque não quer.
... não acho que para bom entendedor, meia palavra baste.
... não acho que a cavalo dado não se olhem os dentes.
... não acho que a ocasião faça o ladrão.
... não acho que cão que ladra não morda.
... não acho que de graça se deva aceitar até injeção na testa.

... e não acho que alguém possa achar algum sentido nesse achismo todo...

"o que será que será
que andam suspirando pelas alcovas
que andam sussurrando em versos e trovas
que andam combinando no breu das tocas
que anda nas cabeças, anda nas bocas
que andam acendendo velas nos becos
que estão falando alto pelos botecos
que gritam nos mercados, que com certeza
está na natureza, será que será
o que não tem certeza nem nunca terá
o que não tem conserto nem nunca terá
o que não tem tamanho

o que será que será
que vive nas idéias desses amantes
que cantam os poetas mais delirantes
que juram os profetas embriagados
que está na romaria dos mutilados
que está na fantasia dos infelizes
que está no dia-a-dia das meretrizes
no plano dos bandidos, dos desvalidos
em todos os sentidos, será que será
o que não tem decência nem nunca terá
o que não tem censura nem nunca terá
o que não faz sentido

o que será que será
que todos os avisos não vão evitar
porque todos os risos vão desafiar
porque todos os sinos irão repicar
porque todos os hinos irão consagrar
e todos os meninos vão desembestar
e todos os destinos irão se encontrar
e o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
olhando aquele inferno, vai abençoar
o que não tem governo nem nunca terá
o que não tem vergonha nem nunca terá
o que não tem juízo..."
(*)

Tem dias em que a gente não sabe mesmo o que nos vai por dentro.

Às vezes é uma vontade imensa de engolir o mundo, de sorver a vida num gole só, sem pausa para respirar. Outras, uma vontade de fechar a porta do nosso mundo com chave tetra, não deixar ninguém entrar e desfrutar do silêncio mais profundo que a gente possa encontrar. Ou é uma vontade de respirar fundo e encher o peito, sair andando sem destino e se deixar levar, desfrutando da leveza de não querer saber. Ou é desejo de falar, falar, falar, sem pensar direito, apenas deixar sair e esvaziar a alma. Ou de sentar num canto e chorar sozinho, sentindo o sabor de cada lágrima, se permitindo todas as dores, mesmo sem saber quais são. Ou ainda de abraçar forte quem a gente ama, só pra lembrar que não está sozinho, e que pode estender a mão se quiser.

Ou é a vontade simples de olhar para dentro, mesmo que a gente não entenda.

Foi essa a vontade que eu tive hoje. E eu estou mesmo olhando pra dentro. O mais fundo que eu consigo.

Tem muita coisa que eu não entendo. Mas não importa. O que eu quero mesmo é desfrutar. Porque a vida não foi feita mesmo pra se entender.

O que será eu não sei. Só sei que é.

E mais do que isso eu não preciso saber.

(* "O que será (a flor da terra)", de Chico Buarque e Milton Nascimento)

Dá licença que eu vou ali apertar um botaozinho e já volto...




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