(*)

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida" (**)

Eu tenho fome. De muita gente. Gente que passou pela minha vida e significou e já não está ou não significa mais. Que fez parte e deixou de fazer. E agora não faz parte. E às vezes faz falta. E não dá pra fazer voltar, porque a vida não caminha para trás. Ainda bem.

Tenho passado a vida tentando compreender e aceitar esse movimento. De estar constantemente dizendo adeus às pessoas, ou ao que elas foram na minha vida. Porque às vezes acontece de elas continuarem ao meu lado, mas não estarem mais ali. E é estranho. E eu sinto isso como um incômodo gelado na alma, porque me apego às pessoas mais do que deveria. É minha única maneira de viver, porque meu verbo é dividir.

Muitas vezes também divido com as pessoas o que elas não dividem comigo. E fico sem, porque a pessoa se vai e leva o que era dela, e também o que era meu e eu doei. Mas não me arrependo, não. Porque no dia em que desistir de me entregar ao outro terei deixado de ser eu. E disso eu fujo como criança com medo do escuro ou dos monstros atrás do armário.

E também porque recebo muito. Mundos que se aliam ao meu e me fazem acreditar. Mãos que tocam as minhas e me ajudam a levantar. E isso não tem preço.

Também tenho aprendido que nem todos estão prontos para se abrir para o outro. E é preciso respeitar o tempo alheio como respeitamos o nosso. Ou até mais. Eu mesma já devo ter me fechado para alguns que me estenderam os braços. E se fiz isso, foi sem nem mesmo perceber que havia ali uma porta aberta para mim.

O que é cinza nisso tudo é que eu não possa chegar perto de cada um e dizer, ao pé do ouvido, a diferença que fez para mim. O significado que teve no meu existir. A beleza do passo que caminhou comigo. Porque cada pegada dessa estrada é única, e especial.

Mas se não posso dizer, posso ao menos soprar ao vento as palavras que me brotam de dentro e esperar que cheguem a quem possam e devam chegar. Que cada um daqueles que me abriram os braços ou que carregam pelo mundo um bocado de mim sinta e saiba. Porque sentir é saber.

Que não tenham dúvidas de que meu caminho se faz também de cada um deles. Dos que estão e dos que estiveram. Que descubram que sinto saudades, que em certas tardes de sol ou de chuva a melancolia me pega de jeito e eu suspiro fundo como quem se ressente de leve do tempo que passa. E que é também por eles que encontro no espelho esse incrível mosaico que combina as cores de quem eu sou e de quem me vive. De quem divide comigo.

E que é por ser um pouco de cada um deles que sou cada vez mais do que sou. Doando sem medo de me perder. Porque nessa vida só se perde daquilo que não se dá.

(*imagem extraída de http://blogamizade.blogs.sapo.pt)

(** Clarice Lispector, em "A Descoberta do Mundo")

Cada macaco no seu galho. Hoje.

Tem dias que eu fico assim. Quietinha no meu canto, disfarçada. Escondidinha, só esperando pra ver no que vai dar.

Não vejo, não falo, não ouço.

Mas penso. E como penso. Que isso eu não deixo de fazer nunca.

Ainda bem.

"Eu caio de bossa, eu sou quem eu sou
eu saio da fossa, xingando em nagô
Você que ouve e não fala, você que olha e não vê
eu vou lhe dar uma pala
você vai ter que aprender
a tonga da mironga do kabuletê

Eu caio de bossa, eu sou quem eu sou
eu saio da fossa, xingando em nagô
Você que lê e não sabe, você que reza e não crê
você que entra e não cabe,
você vai ter que viver
na tonga da mironga do kabuletê

Você que fuma e não traga, e que não paga pra ver
vou lhe rogar uma praga, eu vou é mandar você
pra tonga da mironga do kabuletê..."
(*)


Cada dia mais me convenço que a vida nos foi dada para ser sorvida até o último gole. Sem reservas, sem pudores, sem defesas. Que o mergulho no desconhecido e no imprevisível se faz necessário, vital a cada passo. Que a beleza da existência está na entrega de quem se dá o direito de viver o que não conhece, o que não sabe, o que não controla.
Para mim, não valem a pena os meios-tons. Meia vida. Ir até o meio do caminho e desistir. Recuar sem saber onde ia dar. Caminhar na estrada confortável da mediocridade. Não é pra mim.
Eu amo a plenitude, o êxtase, a totalidade. Entrar de cabeça e viver o que há para viver. É só assim que eu me sei. É o que tento.
É um ato de coragem. Porque não há quem não tema o que não conhece. Mas a recompensa é imensa, infinita e vale a pena demais.
É também um ato de generosidade. Porque quando a gente se abre para o mundo, está dando de si o que tem de melhor. E se arriscando à exposição, se permitindo conhecer. O que não é tão simples quanto pode parecer.
Mas é um caminho de possibilidades infinitas. De crescimento, descoberta, aprendizado. De cor, sabor, cheiro. De vida.
Eu quero demais seguir esse caminho. Não me perder dele nunca.
Porque sei que é nele, e só nele, que posso me encontrar.


(*"A Tonga da Mironga do Kabuletê", de Toquinho e Vinícius de Moraes)

Dinheiro na mão é vendaval?

24 milhões acumulados na Mega Sena... caramba!

Tá bom que eu tô longe de ser materialista, mas ter essa bolada nas mãos, poder sair viajando pelo mundo... nada mal.

Alguém aí tá a fim de fazer um joguinho pra mim? Olha que eu tenho duas lindas boquinhas para alimentar...

Amigos são uma coisa deliciosa, mesmo. Muito bom trocar abraços, bater papo descompromissadamente, trocar idéias e dividir as coisas com quem está afinado com a gente. Faz a vida mais leve, mais divertida, mais tranquila.

Foi muito bom receber ontem uma amiga que eu não conhecia. Já era minha amiga e eu não conhecia. Não pessoalmente. Nos conhecemos em uma lista de discussão e trocamos inúmeros e-mails, papos sobre filmes, literatura, parto, vida. Muitas crenças em comum, muitas afinidades e um carinho que foi crescendo.

E ontem nos conhecemos. E foi mais legal ainda do que virtualmente. Porque teve olho no olho, risadas, contato. Que é a coisa melhor da vida.

Dê, adorei te receber, querida. Bom demais. Delícia ver minhas meninas curtindo seu colo. Volte sempre que quiser, que a gente vai estar sempre de braços e corações abertos. Pra te acolher, que você é um doce.

Quando a gente der uma fugidinha pro Rio eu não vou deixar de te fazer uma visita, que você é ainda mais maravilhosa que a cidade.

Beijo no coração.

Se o caminho é meu, deixa eu caminhar

Uma das coisas mais difíceis na vida é assumir responsabilidades. Tomar uma decisão e assumir para si sua opção e as consequências dela.

Difícil porque na vida não há garantias. Para nada. A gente tem que decidir baseado naquilo que acredita e buscando fazer sempre o melhor. Mas daí a ter certeza absoluta de que aquilo vai dar certo... ninguém tem, para um lado ou para o outro.

E é claro que dá medo. Ninguém quer ter que lidar com as consequências negativas de uma decisão errada. E é aí que acaba sendo mais fácil transferir a responsabilidade e deixar que decidam por você, para ter a quem culpar quando algo dá errado.

Se a gente investiga, questiona e decide, não há a quem culpar. E nem há porque culpar, já que a decisão foi tomada pensando no melhor. Ninguém toma um determinado caminho achando que aquele é o rumo errado. Se a gente vai por ali, é porque acredita que é o melhor caminho. E se não for, a gente só descobre caminhando, mesmo.

É assim que a gente cresce. Fazendo as próprias opções, defendendo as próprias crenças, seguindo o próprio caminho. Que vai ter pedras, como em qualquer caminho. Mas que estão aí pra fazer a gente aprender a tropeçar e levantar.

Isso não significa que a gente tenha sempre certeza de que caminho tomar. Nem que não se possa parar no meio da estrada e perceber que aquele caminho não é o melhor. E, quando isso acontece, não é vergonha nenhuma parar, dar meia volta e recomeçar.

É melhor errar caminhando pelas próprias pernas e aprender, do que estar sempre certo se escorando em alguém. Eu é que não estou disposta a passar procuração para que decidam por mim. Se abrir para o outro e se dispor a aprender com a experiência alheia é uma coisa. Abrir mão da própria autonomia e deixar que escolham por você é outra. Bem diferente.

No meu caminho tem lugar para tudo: erro e acerto, vitórias e tropeços, comemoração e reavaliação. É o meu caminho, e quem vai fazê-lo sou eu. Eu vou acertar, eu vou errar, eu vou aprender. Eu vou crescer. E vou sair de cada experiência mais forte, mais segura, mais madura.

E vou poder sempre olhar para trás e me reconhecer em cada um dos passos que dei. Porque são meus, e eu não sigo pegadas de ninguém.

(*)

Foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar

Idade nova, vida nova, cabelo novo!!

Enlou-cresci e mudei! Radicalmente...

Bateu a curiosidade? Corre lá no fotolog pra ver: http://oseuseosoutros.nafoto.net

(*imagem: "Medusa", de Caravaggio, extraída de http://www.arthistory-archaeology.umd.edu)

Coisas curiosas sobre mim

EU nasci no dia 19 de agosto de 1978, às 22:20, num lindo parto leboyer.
EU tinha inúmeros amigos imaginários na infância, mas não me lembro do nome de nenhum.
EU aprendi a ler com quatro anos, sem ter ido à escolinha, porque meu irmão mais velho me ensinou.
EU tenho verdadeira fobia de barata, quando vejo uma não chego perto nem pra matar, e já cheguei a sair na porta de casa e chamar o primeiro estranho que passou na rua pra matar uma que encontrei no quintal.
EU tenho alergia a kiwi, se como fico com a boca toda empipocada quase que imediatamente.
EU adoro línguas, falo inglês e espanhol, me viro no francês e morro de vontade de aprender italiano e russo.
EU dei meu primeiro beijo com quinze anos, e me sentia meio E.T., porque todas as minhas amigas já tinham beijado e eu não.
EU nunca quis fazer coisas para ‘entrar na onda’. Sempre fiz apenas o que tinha vontade.
EU nunca fui popular na escola.
EU já raspei a cabeça uma vez, e estou com vontade de fazer de novo.
EU fui fazer faculdade porque tenho prazer em estudar, não pelo diploma.
EU não sei andar de salto, quando uso é plataforma, porque é mais fácil se equilibrar nele.
EU sou carinhosa e adoro demonstar meu amor para quem eu amo.
EU sonhava em ter filhos desde que me entendo por gente, mas nunca imaginei que viriam duas de uma vez.
EU tenho alergia a gato siamês (sim, só siamês!) e só descobri quando dei um de presente para uma amiga e depois disso nunca mais pude ir na casa dela, até me curar com um tratamento homeopático.
EU defendo minhas crenças com ferocidade, às vezes até demais, e tem muita gente que me acha xiita.
EU odiava computador e dizia que a internet afastava as pessoas, até que paguei a língua viciando em blogar e participar de listas de discussão.
EU muitas vezes digo coisas sem pensar, no calor da discussão, e acabo magoando as pessoas sem querer.
EU sou inacreditavelmente teimosa, e demoro eras para admitir que estou errada em alguma coisa.
EU tenho orgulho de ter tido minhas filhas de parto normal, ainda que não tenha sido tudo do jeito que eu queria.
EU sou instável e inconstante. Mas prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
EU adoro tudo o que mais engorda: massas, doces, sanduíches... apesar de também devorar com prazer uma boa salada.
EU não gosto de tomar remédio e prefiro soluções naturais para os desequilíbrios do corpo.
EU tenho vontade de conhecer o mundo todo, e se pudesse pararia tudo por um ano para ficar só viajando.
EU hoje me dei o direito de ser egocêntrica e só falar de mim, porque é meu dia e eu mereço.
Parabéns para mim.

Mordi a língua!

Ontem, quando saí com as meninas para passear, passei em uma loja de roupas para bebê para comprar um sapatinho. A dona da loja se encantou com as meninas, que eram lindas, que estavam grandes pra idade, coisa e tal. E quis dar um presentinho. Uma fita de cabelo pra cada uma.

Ela mesma colocou. E eu, que sempre disse que nas minhas filhas eu não ia colocar essas coisas porque criança tem mesmo é que estar confortável, mordi a língua. Não é que elas ficaram lindas?

 

 

Tenho muito sono de manhã

... e não é porque fiz samba e amor até mais tarde, infelizmente ...

Semana passada escrevi uma descrição nossa - minha, do Re e das meninas - para uma das listas de discussão das quais participo. Ficou interessante, e eu achei que dizia tanto a respeito da gente que resolvi disponibilizar aqui pra quem tiver paciência de ler (tá loooongo...). Acho que tem gente que vai achar interessante saber mais da 'personalidade por trás do teclado'...

Renata, 26 anos - quase 27 - , que parece uma mãe adolescente que não sabia o que fazer com a camisinha, atriz nada satisfeita com os rumos do teatro brasileiro atual, cantora ocasional e escritora apaixonada, que trabalha como professora de espanhol, tradutora, revisora de texto, roteirista e o que mais aparece para garantir o leitinho das crianças (que por enquanto é de graça, mas um dia não será mais...), que ultimamente escreve quase sempre com uma bb no colo e empurrando com o pé o carrinho da outra, apaixonada por toda e qualquer manifestação artística e cultural, maníaca compulsiva por literatura, fã incondicional de García Marquez, Borges, Cortázar, Pessoa e Clarice Lispector, rata de cinema e teatro já em crise de abstinência porque não faz nenhum desses dois programas há um bom tempo, fazona de MPB, mas que ultimamente só ouve os CDs do grupo Palavra Cantada, Adriana Partimpim, Classics for Babies e Arca de Noé, louca por viagens, que guarda recordações incríveis dos países que já conheceu e sonha em passar um tempo morando fora com o maridão e as filhotas, que detesta maquiagem, roupa justa e sapato de salto e adora ter seu próprio estilo e estar sempre confortável, que é uma leonina convicta com ascendente em áries e lua em peixes, seja lá o que isso queira dizer, amante da fotografia, que adora fotografar e ser fotografada, dorminhoca de carteirinha, que ama passar a noite em claro e dormir às seis da manhã, mas que ultimamente fica feliz da vida quando consegue ir dormir às dez da noite e acordar às cinco da manhã do dia seguinte, que acredita em fadas, duendes, anjos, em canalização da energia e pensamento positivo, que medita e tem um altarzinho com lugar para Buda, Krishna e Gannesh, mas que respeita as crenças de todo mundo e não tem preconceitos, que é estratosfericamente apaixonada pelo maridão, por quem deixou a segurança do seu mundo, que tem orgulho de sua ascendência indígena, embora não saiba muita coisa sobre ela, que adora falar de si mesma mas tem uma insegurança da qual não consegue se livrar, que tem tatuagem e anda louca pra fazer outras mas não dá tempo, que adoraria ter um piercing no nariz mas não tem coragem de colocar, que já experimentou bastante coisa e fez algumas loucuras, mas que hoje em dia não bebe, não fuma e só fica doidona por excesso de açúcar no sangue, pq adoora doces, sedentária convicta que odeia ginástica e até gosta de nadar mas tem muita preguiça, estudante Uspiana com a matrícula trancada, mas que quer voltar logo porque tem verdadeira compulsão por aprender, que é filha de uma pessoa incrível que lhe ensinou a essência de ser mulher e mãe, que raramente admite mas adoooora assistir seriados americanos bobos na TV, que até encara um filminho água com açúcar de vez em quando, mas não suporta peça mal montada ou literatura de má qualidade, manteiga derretida que chora até com comercial de margarina, apaixonadona pela vida em família, que acredita em alma gêmea porque encontrou a sua, que é uma usuária meio lerda de computadores, que as únicas coisas que sabe fazer - mais ou menos - direito é participar de listas de discussão de assuntos que lhe interessam e escrever no blog, absolutamente emocional e passional e totalmente incompetente para questões que exijam o uso da razão, que não sabe fazer nada sem tesão e que definitivamente não nasceu pra ficar trancada num escritório das nove às seis porque deteeeeesta rotina, que adora botar o som bem alto e sair dançando pela casa (de preferência nua, mas aí a gente abafa...), absolutamente apaixonada pela maternidade e pelas duas pimentinhas lindocas que deixaram a sua vida muito mais colorida e de cabeça pra baixo...

Renato, 48 (é, é isso mesmo...), engenheiro, trabalha no metrô de São Paulo, tem dois filhos do primeiro casamento que têm quase a idade da mulher, paizão apaixonado pelos quatro filhotes, que veste a camisa e é pau pra toda obra, que parece muito racional mas tem um coração do tamanho do mundo, que é ciumento pra caramba mas não admite nem sob tortura, que ama comida italiana e acha um pecado pizza com champignon, rúcula e invencionices do tipo, que adora brincar de machão mas é um profundo conhecedor da alma feminina, também estudante Uspiano e também com a matrícula trancada, que foi buscar na área de humanas um refresco para sua alma de poeta, que vive reclamando que não tem tempo pra nada mas não consegue ficar sem nada pra fazer, que adora viajar e conhece uma penca de lugares pelo mundo, que é louco por esporte mas quase nunca consegue assistir porque tem sempre uma bebê chorando ou uma mulher pedindo atenção, que é ateu mas nas horas difíceis descobre uma fé que não sabe de onde vem, que tem orgulho de sua ascendência italiana, da qual sabe muita coisa, que tem cidadania italiana e tem intermináveis discussões com a esposa, porque ela não aceita essa tal nacionalidade ‘juris sanguinis’, que teve coragem pra dar uma reviravolta na própria vida porque se apaixonou aos 45 por uma garota 22 anos mais nova, que é cético até a raiz dos cabelos mas passou a se questionar sobre a existência de destino depois que conheceu a mulher, libriano que detesta extremismos e vive tentando alcançar o equilíbrio, que adora comer e sabe apreciar uma boa comida acompanhada por um bom vinho, embora ultimamente viva dizendo que precisa maneirar, um cara com vocação para a paternidade e ultimamente absolutamente apaixonado pelas duas pimentinhas que lhe tiram o sono mas lhe enchem os olhos de ternura...

Ana Luz, pimentinha n.1, quase três meses, que ama mamar e dormir, que se revira a noite inteira e acorda quase sempre de ponta-cabeça no berço, que dorme até onze horas direto à noite porque puxou a mãe e tem um sono daqueles que pode cair o mundo que não acorda, que tem o sorriso doce mais lindo do mundo, que tem prazer em sorrir pra quem quer que seja, desde que bata papo com ela, que adora ouvir o CD da Adriana Partimpim, que já conhece vários fonemas da língua portuguesa e inclusive alguns da língua alemã, que sente muito calor e detesta ficar enroladinha e que ultimamente se dedica a inventar maneiras de sair do carrinho sem saber se sentar sozinha.

Estrela, pimentinha n.2, quase três meses, que ama mamar mas detesta que lhe coloquem no peito quando não está com fome, que já sabe mandar beijinho mas só manda quando quer, nunca quando lhe pedem, que tem o sorriso maroto mais lindo do mundo, que adora ser sacudida, principalmente pelo pai, que adora ouvir o CD ‘Meu neném’, do grupo Palavra Cantada, que gosta de ficar sentadinha no sofá vendo TV mas se entedia se o programa é muito parado, que sente muito frio e gosta de dormir soterrada sob uma pilha de mantas e cobertores e que ultimamente se dedica a tentar se sentar sozinha no carrinho e a descobrir novas maneiras de colocar leite pra fora depois de mamar.

 

Ao meu pai

 (*)

Eu acredito e sei que a gente ainda vai se encontrar de novo e se dizer tudo o que ficou pelo caminho, seja aqui ou em qualquer outro lugar.

Eu queria que você soubesse de tudo o que eu nunca tive oportunidade de te dizer, e mesmo do que eu já tive oportunidade mas não disse. Porque há também muita coisa que eu guardo aqui dentro, mas que ainda acredito que um dia você vai saber.

Você sabe que eu amo você e que sinto a sua falta na minha vida, porque isso eu já te disse. Mesmo que não tenha feito tanta diferença para você, ou talvez tenha e eu é que não sei.

Eu já cansei de pensar nas culpas que ficaram perdidas ao longo da nossa história. E hoje eu não deixo que elas importem mais. Ou pelo menos não quero deixar, mesmo que nem sempre eu consiga. Porque eu já cansei de perder tempo, e hoje me reservo o direito de chorar apenas pelas novas perdas, já chega de chorar pelas perdas passadas.

O que eu sei hoje e vou saber sempre é que o vazio que você deixou na minha vida vai ficar. Demorou, mas eu entendi que não dá pra preencher esse espaço. Porque ele é seu e vai ser seu pra sempre, mesmo que você não esteja aqui.

É que eu acho que, por mais que o tempo passe, eu nunca vou me acostumar. Eu posso seguir em frente, posso aprender a conviver com a realidade, posso compreender que as coisas são o que são, e as pessoas também. Mas não sei se um dia vou me acostumar. A pensar em você e lembrar de coisas doces, divertidas e leves. E também de lágrimas, e decepções, e desencontros. Ao fato de você ter virado um estranho pra mim. Porque você já não sabe nada da minha vida. Nem ao menos sabe que eu tenho duas filhas lindas e o quanto eu gostaria que elas pudessem sentar no seu colo e ter de você a mesma alegria que eu tive na minha infância.

Você se perdeu, pai, e eu amava você. E me dói que você tenha se perdido, e me dói não ter sido capaz de fazer nada para que você se reencontrasse. E se ainda hoje você está perdido, uma parte minha está perdida com você.

E eu precisava tirar isso de mim. Ou pelo menos dividir. Porque quando eu me coloco em palavras me compreendo melhor.

E espero que um dia você compreenda também. Que eu tenha a oportunidade de lhe dar isso pra ler. Ou, melhor ainda, de lhe dizer, palavra por palavra.

E quem sabe será nesse dia que nos reencontraremos ambos. E vamos cantar, e ser felizes novamente.

(*imagem extraída de http://andre.aquino12.blog.uol.com.br/)

"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Qqe tenho sofrido enxovalhos e calado,
que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? (...)" (*)

Eu estou de saco cheio de gente que se acha o bom em tudo. Que se acha melhor que os outros. Aliás, eu não aguento essa coisa de um ficar achando que é melhor ou pior que o vizinho. Pobreza de espírito isso de ficar se comparando. Coisa de gente que não percebe que cada um é um, o máximo em si mesmo. E que olhar para o lado é bom pra compartilhar, pra dividir, pra acrescentar. Mas não pra comparar.

É que tem gente que não entende que o ser humano é absoluto, não relativo. O ser humano é. E ponto. Não é mais que, menos que, melhor, pior. É e se acabou. Tão simples. Mas tem gente que insiste em complicar.

Eu gosto de gente gente, no duro, no sentido real da palavra. Gente que hesita, que tropeça, que cai. E que levanta e continua. Gente que erra, e assume, e tenta melhorar. Gente que aprende e cresce com cada deslize. Gente que se aperfeiçoa, que melhora, que se aprimora. E que nunca chega lá, porque sabe que tem muito chão pela frente. Sempre tem, porque o fim é a morte.

Eu é que não quero ninguém perfeito do meu lado. Todos os meus amigos são gente cheia de defeitos. Como eu, que tenho meus poréns, e não são poucos. Gente que acorda despenteada, com a cara amassada. Gente gente, mesmo.

Gente de altos e baixos, picos e vales, bom e ruim. Isso é que é legal. Gente de verdade.

Gente que foi feita pra brilhar, e não pra morrer de fome. Principalmente esse tipo de fome. Que é a fome que não ataca o corpo, mas deixa a alma desnutrida.

(*"Poema em Linha Reta", de Fernando Pessoa - Álvaro de Campos)

(*)

Envelheço na cidade

Caramba!

Daqui a pouco estou eu fazendo 27 anos... sexta feira que vem, já!

Putz... sou quase uma balzaca...

Eita!!

(*imagem de Luis Fernando Veríssimo)

A cada sorriso que vocês me dão, eu entendo mais a infinitude da vida. A cada olhar de reconhecimento eu me conheço melhor. A cada toque de suas pequenas mãozinhas curiosas eu sinto renovado meu entusiasmo pelo mundo. A cada risada de vocês eu tenho mais vontade de ser feliz. A cada novo movimento de vocês aumenta minha energia para chegar além. A cada pequena descoberta de vocês eu vejo um novo mundo se criar diante de mim.

A chegada de vocês me trouxe um novo universo. Novas prioridades, novas crenças, novos valores. Novos sentimentos e uma capacidade imensa de amar. Novas cores e um olhar que me leva muito mais adiante do que eu jamais fui. Novas possibilidades e novos desejos. Uma nova maneira de ser.

Se olho para trás eu mal acredito que um dia foi diferente. Que alguma vez houve vida sem a presença de vocês. Que alguma vez minha felicidade esteve em outro lugar que não este quartinho cheio de calor, amor e aconchego onde nos aninhamos os quatro e compreendemos a vida.

Eu amo vocês. Demais. Acho que é isso. O que eu queria dizer.

Enrolei e dei voltas, mas era bem mais simples.

E agora vocês estão dormindo e eu estou aqui, já cheia de saudades e desejos de ouvir seus sonzinhos leves e doces. E de sentir suas mãozinhas segurando as minhas.

Vou até ali dar um cheirinho em vocês. E voltar com o coração transbordando de ternura...

PS: fotos do domingo no fotolog (http://oseuseosoutros.nafoto.net)

Hoje eu estou no mais típico clima de segunda feira, portanto...

E esse frio era só o que faltava!!!

Humpf...

PS1: Essa tirinha me remeteu à infância: eu tinha uma folhinha dessas colada na porta do armário quando era pequena e me indentificava profundamente. Desde então eu já odiava as segundas-feiras...

PS2: Tem fotos do final de semana lá no fotolog. Coloquei algumas fotos de sábado e me empolguei, portanto atingi o limite diário. Então as fotos de domingo ficaram para amanhã. (http://oseuseosoutros.nafoto.net)

"... vou consertar a minha asa quebrada e descansar ..."(*)

Todo mundo quebra uma ou outra asinha de vez em quando. E se recolhe pra descansar, assimilar o golpe e se recuperar.

E depois se levanta, segue em frente e descobre que ganhou várias asas no lugar daquela que perdeu.

A única coisa triste é que tem quem fica de asa quebrada por muito tempo. Às vezes até pra sempre.

Eu não quero olhar pras asinhas que já perdi. Porque elas não importam. Não podiam mais me fazer voar.

Se eu ganhei asas novas, foi pra voar cada vez mais alto.

E cada vez mais longe é que eu quero chegar.

(*trecho de "Os Anjos", de Renato Russo)

"... mas hoje não dá... está um dia tão bonito lá fora e eu quero brincar ..."(*)

Hoje me deu uma vontade imensa de brincar. De ser criança novamente, de acreditar. De rir das coisas mais bobas, de viver a vida com inocência. De saber fazer de conta.

Vou pegar minhas meninas e sair dançando pela casa. Sem motivo, sem porquê, sem razão. Só liberdade e leveza. Botar um sorriso bem gordo no rosto e amar a vida. Fazendo de conta que tudo é possível. Porque pode ser se a gente quiser.

Ser mãe traz mesmo todo um universo novo pra gente.

Basta ter olhos de ver e alma de sentir...

(* trecho de "Os Anjos", de Renato Russo)

(*)

Vida. Vida divertida. Vida viva. Vida bandida. Vida louca vida. Vida breve. Vida longa. Vida colorida. Vida vívida. Vida regrada ou desregrada. Vida alucinada. Vida sentida. Vida dia a dia. Vida cotidiana. Vida surpresa. Vida sufocada e sufocante. Vida imensa. Vida infinita. Vida possibilidade. Vida poder. Vida ciclo de vida. Vida no mundo. Vida em si. Vida de cada um. Vida de todos. Vida cor de rosa, ou cinza. Vida a ser vivida. Vida atrasada. Vida prometida. Vida sonhada. Vida de cão. Vida de princesa. Vida sem pé nem cabeça. Vida sem sentido. Vida programada. Vida arriscada. Vida sem garantias. Vida certinha. Vida totalmente errada. Vida de engano. Vida de tentativa. Vida sentir. Vida amar. Vida prazer. Vida dolorida. Vida perdida. Vida errante. Vida dentro ou fora. Vida minha. Vida sua. Vida nossa. Vida dar a vida. Vida riso. Vida lágrima. Vida caminho. Vida na estrada. Vida trancada. Vida amarrada. Vida liberdade. Vida.

Ela. Somente. Um infinito de possibilidades. Nas nossas mãos. Estranha e maravilhosa.

Ou estranhamente maravilhosa....

(* imagem extraída de http://oblogdalibelua.blogs.sapo.pt)

Eu me rendo!!!!!

É, não consegui resistir por muito tempo... atendendo a pedidos dos visitantes do 'eu e os outros eus' por fotos, criei um fotoblog.

Passa lá!

http://oseuseosoutros.nafoto.net

"Sorri
quando a dor te torturar
e a saudade atormentar
os teus dias tristonhos, vazios
Sorri
quando tudo terminar
quando nada mais restar
do teu sonho encantador
Sorri
quando o sol perder a luz
e sentires uma cruz
nos teus ombros cansados, doloridos
Sorri
vai mentindo a tua dor
e ao notar que tu sorris
todo mundo irá supor
que és feliz"
(*)

É que hoje acordei com uma vontade imensa de sorrir. Sorrir bem grande. Sorrir intenso, verdade, suspiro. Deixar esse lindo sol de inverno iluminar meus cantinhos. Respirar fundo esse ar bem geladinho. E sorrir.

É que sorrir é bom demais. É que quando a gente sente esse desejo fundo de sorrir tem mais é que se deixar levar. É que tem coisa boa demais nesse mundo quando a gente opta por ver.

É que um sorriso adoça o dia. Um sorriso contagia. Um sorriso faz a gente buscar lá dentro a esperança, a energia e a vontade. Um sorriso faz a gente olhar o outro lado das coisas. Faz a gente acreditar.

Um sorriso vale a pena demais. Mesmo que seja um sorrisinho pequeno, aquele de canto de lábio. Ou aquele sorriso envergonhado, que ainda insiste em se esconder.

Eu sorrio. Tu sorris. Ele sorri. Nós sorrimos. Vós sorríeis. Eles sorriem.

Eita, verbo simpático...

(**)

(*"Sorri", letra de Charles Chaplin, G. Parson e J. Turner, versão em português de Braguinha)

(** imagem extraída de http://www.redejovem.net/escolamariaquiteria)




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