(*)

Aqui estou eu, apanhando do Power Point pra ver se consigo, finalmente, quatro meses depois, 'parir' o slide show do parto das pimentinhas. Tudo bem que o relato que é bom eu ainda estou gestando, mas parir o slide show já é meio caminho andado, né?

Olha que não tá fácil, mas tá ficando legaaaal...

Mordam-se de curiosidade!!

Logo logo eu mostro...

(*imagem extraída de http://www.portaldavaca.com.br)

"Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. Sou uma culpada inocente." (*)

Eu sei que tenho deixado uns erros por aí, ao longo do meu caminho. Passos tortos, tropeços. Mas é que essa é a única maneira de acertar. De me encontrar. E encontrar a minha verdade.

O que me dói não é quando eu tropeço. É quando atropelo alguém. Que entrou desavisado no meu caminho e eu não vi senão quando já era tarde demais.`

É que às vezes, muito sem querer, eu passo por cima de alguém. Eu não quero machucar, mas machuco. E acaba que saio machucada também.

Eu peço desculpas. Porque não quero construir o meu caminho em cima da tristeza de ninguém. Porque desejo que o meu caminho seja feito de alegrias, de sorrisos. Mais do que tudo. 

Não tenho vergonha de pedir desculpas, não. Nem sempre é fácil, mas eu peço. Ou pelo menos tento. Esforço-me para isso. Porque quero muito aprender a deixar o orgulho de lado e reconhecer quando erro.

Foi tentando acertar. Pelo menos isso já deve valer alguma coisa.

Eu espero que valha.

(* Clarice Lispector )

"Tudo é uma questão de manter / a mente quieta / a espinha ereta / e o coração tranquilo ... " (*)

Tudo...

Tudo, tudo.

Tudo??

Vamos ver...

(* Walter Franco)

Bota água no feijão que eu tô voltando...

Ufa!!!

Tô de volta! Depois de seis dias sem computador, uma infinidade de e-mails perdidos e muitas saudades dos 'amigos virtuais'.

Aguardem, que eu tô cheia de coisas pra dizer...

Amamentação: o que você tem a dizer sobre isso?

Desde sempre, a maternidade e a amamentação eram experiências indissociáveis pra mim. Eu nem cogitava não amamentar. Era algo tão natural quanto gestar, parir, amar. Alimentar. Simples assim.
Tenho conseguido. Amamentar duas bebês sem complemento artificial. Duas bebês que crescem e engordam a olhos vistos. Que se desenvolvem maravilhosamente, são espertas, precoces, inteligentes. E felizes, muito felizes. Basta ouvir as lindas gargalhadas que vira e mexe inundam a casa de vida e me enchem o coração de ternura.
Não vou dizer que foi simples. Não foi. As dificuldades existiram. Algumas tão dolorosas que quase me fizeram desmoronar, não fossem as pessoas a meu lado. Aliás, essa é uma ótima oportunidade para agradecer. Ao Re, que fez um esforço incrível para superar sua própria ansiedade e comprar comigo a briga da amamentação exclusiva, ficando ao meu lado para o que desse e viesse. Lindo. À Márcia, consultora de amamentação, que teve a paciência de nos dar o apoio de que precisávamos para persistir e o ombro amigo para que chorássemos nossas pitangas à vontade. E à minha mãe, que sempre tinha uma palavra de tranquilidade e incentivo, sempre tão importantes. Sem todo esse apoio eu talvez não tivesse superado o que superei. A dificuldade de pega da Estrela, que mamou meu leite na mamadeira por três semanas, até voltar ao peito. A sensação de exaustão das primeiras semanas, quando eu praticamente não passava vinte minutos sem ter uma bebê no peito. A dor nos mamilos rachados que levaram mais de um mês para cicatrizar. A falta de incentivo do primeiro pediatra das meninas, que insistia que eu jamais teria leite suficiente para duas bebês e que elas não ganhariam peso adequadamente.
Mas tudo isso passou. Ficou pra trás, e hoje se me lembro parece tão pequeno. Tão insignificante diante da satisfação de ver minhas meninas crescendo pela minha doação.
Aliás, nem sei se faz sentido falar em doação. Porque acho que recebo muito mais do que dou. O prazer que sinto em amamentar é algo quase obsceno, de tão infinito. A mágica de estar constantemente dando a vida faz muito mais por mim do que por elas. Porque me torna grande, melhor, completa.
Amamentar, para mim, é muito mais que uma responsabilidade com as minhas filhas. Vai muito além da necessidade nutricional delas, dos benefícios físicos que proporciona. Está profundamente conectado com a nossa ligação mãe-filha, com o meu prazer na maternidade, com a magia de dar, através do meu corpo, a vida. Com a minha essência de mulher, mãe, mamífera.
Dar o peito é dar o leite, sim. Alimentar. Mas é muito mais do que isso. É aconchegar, acalentar. É amar. É se permitir transformar. Ser o veículo pelo qual a natureza expressa sua magia, sua ordem, seu sentido. É reestabelecer a ligação vital que tínhamos na gravidez, quando éramos um só corpo, uma só vida.
O que eu sei é que são momentos que vou guardar para sempre. As mãozinhas me segurando o seio, como se quisessem garantir a presença e o contato. Os olhares doces e cheios de ternura, que me miram como quem diz: ‘que bom que você está aqui’. O sorriso entre uma sugada e outra, meio que escapando, sem perceber, maroto e meigo a um só tempo. A respiração suave sentida no contato pele com pele. A sensação infinita de tê-las dormindo em meus braços, satisfeitas, seguras e felizes.
Sei também que tudo isso é ainda mais importante para mim do que para elas. Amamentar me faz sentir menos só. Porque me engrandece a cada momento. A cada toque. A cada troca.
De fato, eu não dôo, não. Elas é que me doam. Elas é que me dão a vida.
A cada mamada.

PS: esse post coletivo com o tema "amamentação: o que você tem a dizer sobre isso?" (que aliás era para ter sido publicado em 12 de setembro, mas como não deu, vai atrasado mesmo...) foi uma iniciativa das Mulheres de Peito (http://www.mulheresdepeito.blogger.com.br/).

4 meses!

Hoje as pimentinhas completam quatro meses de vida extra-uterina.

E a mamãe está sem tempo pra escrever porque está ocupada fazendo o bolo. De chocolate com recheio e cobertura de brigadeiro.

Quem ficou com vontade que passe por aqui para roubar um pedaço...

PS: semana passada rolou entre as mamães blogueiras da net um post coletivo sobre o tema "amamentação: o que você tem a dizer sobre isso?". eu, como estava atarantada (onde foi mesmo que eu fui buscar essa palavra??) e cheia de mensagens atrasadas para ler, só fiquei sabendo na sexta-feira, quando já não dava tempo de fazer um post sobre isso no 'eu e os outros eus'. de qualquer forma, vou tentar escrever algo e colocar aqui amanhã. se der tempo...

... péra lá que eu tô me reconstruindo ...

... paciência, meu povo!!

 (*)

Um dia desses eu estava na porta do supermercado aqui perto de casa com as meninas. De coração distraído, e acho que por isso fui atingida. Foi uma mulher, sentada ali perto, que me acinzentou o dia. Sem querer e sem saber. É que, olhando pra ela, eu senti que havia algo de estranho. Eu não sabia dizer o que era, mas não estava certo. Alguma coisa fora do lugar, algo pelo avesso.
Conversava com outras duas mulheres. E reclamava de tudo. Do marido, que ganhava pouco e devia trabalhar mais. Dos filhos, que não ligavam para ela. Dos netos, que davam muita despesa para os filhos. Do patrão, que não reconhecia seu trabalho. Do governo, que era corrupto. Da comida, que tinha calorias demais. Do tempo, que estava muito quente.
Juro. Minha alma passional poderia me fazer exagerar, mas aqui nem seria preciso. Porque em menos de quinze minutos eu a ouvi reclamando de pelo menos umas quinze coisas diferentes. Tudo tinha algum defeito, nada era como ela gostaria, tudo tinha que ser diferente do que era.
Aí que eu entendi. E ficou clara a razão da estranheza. O que tinha aquela mulher que havia me incomodado e me ferido tanto desde o momento em que a vi e passou a fazer parte do meu mundo.
É que ela era indefinida. Era velha sem ser velha. Uma incompatibilidade, uma incongruência entre a idade do corpo e a idade da alma. Uma coisa tão estranha que fica até difícil definir.
Ela não era velha. Cronologicamente, quero dizer. Tinha o que? No máximo, quarenta e cinco. Mas tinha alma centenária. E daquelas que só acumulam cansaço e desilusão. Nunca sabedoria. Porque falava como quem já viveu tudo o que tinha para viver e um pouco mais. Como quem já cansou e desistiu.
Ela reclamou, reclamou, reclamou. E se foi. E eu fiquei ali pensando. Meio perdida, entre assustada e entristecida. Porque se tem uma coisa que me apavora e ameaça é essa derrota. Ser derrotada pelo tempo, pela vida, pelas dores. Deixar-me vencer pelo que não foi, pelo que não deu, pelo que não fiz.
Isso é tudo o que não quero pra mim, nunca. Posso perder, sim. Posso cair. Mas a derrota, essa nunca. Para essa eu quero sempre fechar a porta.
É por isso que rezo todos os dias (para o meu deus, aquele que é só meu, e que só eu conheço e sei o que significa) e peço que nunca deixe de me permitir. Que me conçeda, sempre. Que afaste de mim a impossibilidade .O conformismo. Porque sei que nada disso cabe em mim. Não na pessoa que eu quero ser. E que estou aprendendo a construir.
Que eu possa lutar. E ter alegria. Amar. E ser amada.

E ter alguém pra me segurar a mão.

Hoje e sempre.
É o que me basta.

(* imagem extraída de http://www.ogirassol.com.br)

 

(*)

Dispensa comentários...

a-do-rei!

(* foto de Clayton de Souza, extraída de http://www.estadao.com.br)

 

Minha vida É um livro aberto.

O que eu estou aqui quebrando a cabeça para tentar entender é se as tais páginas coladas o são por medo, vergonha, indignação, insegurança ou seja lá mais o que possa me impedir de me mostrar como sou. Por inteiro, não pela metade.

É que estou querendo me folhear livremente. Página por página, devorando cada trecho. De trás para frente, de ponta-cabeça. Sem reservas ou limites.

Dar-me a conhecer. Eu. Eu mesma, nua e livre.

Tão assustador.

E redentor também.

 (*)

 

Tem situações na vida que são meio labirínticas. A gente vira para um lado, vira para o outro, volta para trás, tenta recomeçar tudo do começo. Mas cadê que encontra a saída?

Eu sei que uma hora a gente encontra. Eu sei.

Mas é que eu ando meio cansada de bater cabeça...

(* imagem extraída de http://www.arremate.com)

(*)

De mãos dadas comigo

Qualquer dia desses a mulher que sou estenderá os braços para a menina que fui e ambas sairão caminhando em meio a flores e cores. E amores.

Teremos muito o que conversar. E aprenderemos muito uma com a outra. De um lado, ingenuidade e esperança, uma forma colorida de ver o mundo. De outro, experiência, maturidade, a vivência da realidade. E haverá tanto o que falar.

Compartilharemos risadas, lágrimas, palavras. Nos compreenderemos, nos dividiremos. Nos aceitaremos e nos amaremos.

E, ao final do caminho, se tivermos sorte. Tenho até medo de desejar felicidade tão grande. Não saber mais onde termina uma e começa a outra.

Menina e mulher. Mulher e menina.

Para todo o sempre.

(* imagem extraída de http://www.portaldaamazonia.org.br)

 (*)

"Um dia quero mudar tudo
no outro eu morro de rir.
Um dia tô cheia de vida
no outro não sei onde ir,
Um dia escapo por pouco
no outro não sei se vou me livrar,
Um dia esqueço de tudo
no outro não posso deixar de lembrar,
Um dia você me maltrata
no outro me faz muito bem,
Um dia eu digo a verdade
no outro não engano ninguém,
Um dia parece que tudo
tem tudo prá ser o que eu sempre sonhei,
no outro dá tudo errado
e acabo perdendo o que já ganhei
(...)
Um dia eu sou diferente
no outro sou bem comportada,
Um dia eu durmo até tarde
no outro eu acordo cansada,
Um dia te beijo gostoso
no outro nem vem que eu quero respirar,
Um dia quero mudar tudo no mundo
no outro eu vou devagar,
Um dia penso no futuro
no outro eu deixo prá lá,
Um dia eu acho a saída
no outro eu fico no ar,
Um dia na vida da gente,
Um dia sem nada de mais,
Só sei que eu acordo e gosto da vida
Os dias não são nunca iguais..."
(**)

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante

Sempre achei essa música bárbara. Acho que porque, me sinto, de certa forma, definida, expressada. São palavras que me cabem, que me encontram, que me expressam.

Porque eu sou assim. Meio assim, assim. Meio de um lado e de outro. Cá e lá. Meio cada dia um dia, cada dia uma vida. Sempre mudando, a cada momento mirando a vida por um prisma diferente.

E eu adoro ser assim. Faz parte do meu entusiasmo pela vida. Descobrir cores diferentes a cada olhar. Porque quem ama a vida ama a amplitude, o infinito, a descoberta. Ama o diferente, por mais que assuste. Ama a mudança, o desconhecido. Teme, mas ama. Porque temer é humano. Mas amar também. Graças a deus.

Pra mim, é necessário como o ar que respiro. É o que me alimenta, o que me sustenta, o que me suporta. A possibilidade da mudança. A delícia de estar constantemente se renovando, se descobrindo, se reavaliando. Sem esse respiro, eu poderia ser deixada de lado. Para encostar e desistir.

Mudar de idéia é um dos meus passatempos favoritos. Eu penso, repenso, questiono, me reviro toda. E logo estou pensando o que não pensava. E daqui a pouco já vou pensar outra coisa. Porque eu não paro nunca.

E como é bom. Não parar. A sutileza de cada passo deixando sua marca. E me fazendo sempre diferente.

Tudo, menos ter 'aquela velha opinião formada sobre tudo'.

E assim que é pra mim.

(* imagem extraída de http://www.usina.com/fotos_rene/digitais)

(** "Bom Dia, letra de Swami Jr. e Paulo Freire)

(*)

Quem sabe faz a hora

Se cada um fizesse a sua parte, o mundo ainda estaria em pedaços.

Mas, afinal, é preciso que se comece de algum lugar...

(*imagem extraída de http://irc.blogs.sapo.pt)

Chove aqui dentro

Vou aproveitando a chuva de fora para expor o peito e deixar que a água me banhe por dentro. E vou saindo limpinha, fresquinha, de alma lavada e coração renovado.

Esse cheirinho de chuva me deixa com uma vontade desumana de chorar. Mas não é de tristeza, não. É um choro de quem percebe de repente, assim meio no susto, que é humano. Que sente. Que a alma é frágil e exposta, e mágica por isso. É que nem sempre a gente lembra.

Cada vez que a gente tem um momento desses vale por uma vida...

... então dá licença que eu vou ali curtir esse meu momento ...




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